Eu lembro quando eu assistia aquele programa da MTV alguns anos atrás, I Want a Famous Face. Dois irmãos gêmeos queriam ficar com a cara do Brad Pitt. Tudo o que conseguiram foi ficar com a cara do Brad Pitt - só que de um desenhado por uma criança de 3 anos. No outro episódio, o sonho da garota era virar a Pamela Anderson. Veja só: ela queria parecer com alguém que já parece ter sido feita em laboratório. Mas enfim, foi lá, colocou silicone, injetou gordura na boca pra ficar com aquela expressão eterna de tesão de mulher em capa de filme pornô e saiu esfuziante. Finalmente, não era mais ela mesma.
Até onde vai chegar essa falta de amor por si próprio, essa negação de si mesmo?
Não existe mais lugar para o imperfeito. Algo nos faz acreditar que só seremos dignos de atenção, de amor, se tudo em nós for acertado, milimetricamente dimensionado, duro e liso. A mentira das fotos de revista virou verdade: não importa que aquelas coxas magníficas da fulana e a barriga de tanque do sicrano foram resultados de horas e horas de correção por computador; o que importa é o que se vê. E isso assusta, porque é meio difícil ficar igual a algo que não existe. A realidade sempre estará aquém do referencial. Pior: o real esvaziou-se de importância. Não interessa se você tem dinheiro, cultura, sucesso. Interessa, isso sim, se aparenta ter.
Cada vez mais gente troca a individualidade pela aprovação dos outros e se torna um clone fajuto de seres pré-aprovados pela platéia ou uma versão mentirosamente melhorada de si mesmo. Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento (quem tiver mais de 25 anos já deve ter ouvido esse ditado).
Não vejo problema algum em acertar um nariz torto, levantar peitos caídos, ou dar uma arrumada no que eu arrumei (sim, eu já arrumei, mas ninguém precisa ficar sabendo o que MUAHAHA). O que me amedronta é essa insanidade que leva a um tipo inédito e estúpido de mutilação, a mutilação pró-fama. O que são dores, anestesia, o período angustiante de recuperação perante a cara de espanto dos amigos, o despeito das amigas, os futuros flashes? Nem para os índios na época do descobrimento o espelho era tão fascinante. Eles trocavam ouro pra ter um pedaço de si refletido. Hoje em dia, troca-se de rosto, de corpo, por elogios, muitas vezes fajutos.
Jamais fomos tão carentes de aceitação. Nunca fomos tão egocêntricos.
Adoraria perder uns quilos. Chegando aos 30, também seria legal outras coisas. mas não deixo de me sentir interessante, digno de receber elogios, amor, porque a calça, ocasionalmente, não fecha. Não me acho um lixo porque comprovo diariamente a existência de homens mais sarados e fortes e com cabelos bons do que eu. Gosto de ser quem eu sou e prezo quem tem a mesma relação consigo mesmo - pobres (e chatas) as pessoas que se odeiam por não atender às expectativas alheias.
As débeis que vendem até a alma para ter a bocona da Angelina Jolie ou a cintura da HAlle Berry deveriam saber que a primeira se divorciou porque o marido transava até com a fruteira e a segunda vive sozinha porque não controla o próprio ciúme. Ter dimensões e formas idealizadas não livra ninguém da infelicidade. Apenas o transforma num infeliz bonito na foto.
Uma coisa é certa: seríamos muito mais felizes se investíssemos em terapia o que gastamos sugando banha e esticando a cara.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
Conte com você mesmo
Uma cena de Beleza Americana me impressionou particularmente. O filme todo é bom, aliás. Tenho que vê-lo de novo. Acho comovedora aqula busca desesperada e vã do homem pela juventude perdida. Mandar para o lixo a carreira bem-comportada depois de uma conversa franca com o chefe e ir trabalhar numa lanchonete, sem metas e cobranças que fossem além de entregar com um sorriso um hambúrguer para o freguês. Comprar um carrão imprestavelmente lindo de 20 anos atrás apenas para realizar um sonho que ficara lá longe num mundo que se perdera. E correr atrás de uma garota como se fosse, ele próprio, um garoto, e não um homem vencido pelo correr dos dias. Braços remando contra a correnteza. Somos condenados a remar contra a correnteza, e só não encerro essa digressão porque me ocorre uma frase cortante como a melhor espada samurai: o tempo nos tira as certezas que temos na juventude e, ao perdê-las, vai com elas uma ousadia petulante que é maravilhosa por ser ingênua. E essa é a maior das maldades do tempo, ainda que as certezas fossem, todas elas, erradas.
Mas era sobre a cena da primeira sentença que eu queria falar. A mãe frustrada, que imagina encontrar a resposta para um casamento miserável nos braços de um amante rico e engomado, diz para a filha depois de uma briga conjugal que terminou com pratos lançados na parede: "Você aprendeu a maior de todas as lições. Você aprendeu que tem que contar apenas com você mesma". Quando narrei esse episódio a um amigo, ele disse:"Sócrates não teria falado nada melhor".
Temos que contar com nós mesmos, e no entanto quase sempre depositamos nossa felicidade (ou nossa infelicidade) nos outros. Ninguém pode nos ajudar se nós próprios não nos ajudamos. Ninguém mesmo: nem a mãe, o pai, o amigo, o irmão, a namorada ou a mulher. Ninguém. Vivemos num mundo onde a solidão é tratada como um estigma, um mal a evitar. Algum sábio homem disse que jamais estava menos só do que quando estava só, entregue às reflexões. E no entanto poucas coisas nos enchem de tamanho horror quanto a solidão. É porque não contamos com nós mesmos. E assim - e lá vou eu para mais uma de minhas citações - estamos sempre fugindo de nós mesmos.
A única coisa que temos sob nosso controle somos nós. Nossa mente e nossas ações. O resto, não. Sua namorada deixou você? é triste, se você gostava dela, mas, se você tem presente que deve contar mesmo é com você próprio, esse é um episódio de tranquila superação. Não está no seu controle obrigá-la a amá-lo até o último dia. Sob seu controle está você mesmo. É com você mesmo que você deve contar. Não pode haver mais sólido refúgio do que esse contra as adversidades e incertezas da vida. Foi isso que, naquela cena de Beleza Americana, a mãe disse à filha. Era uma mulher histérica, descontrolada, falsa. Mas, vale a repetição, nem Sócrates poderia ter dito uma coisa mais sábia à garota arrasada.
Pena que eu nunca sigo meus próprios conselhos. :/
Mas era sobre a cena da primeira sentença que eu queria falar. A mãe frustrada, que imagina encontrar a resposta para um casamento miserável nos braços de um amante rico e engomado, diz para a filha depois de uma briga conjugal que terminou com pratos lançados na parede: "Você aprendeu a maior de todas as lições. Você aprendeu que tem que contar apenas com você mesma". Quando narrei esse episódio a um amigo, ele disse:"Sócrates não teria falado nada melhor".
Temos que contar com nós mesmos, e no entanto quase sempre depositamos nossa felicidade (ou nossa infelicidade) nos outros. Ninguém pode nos ajudar se nós próprios não nos ajudamos. Ninguém mesmo: nem a mãe, o pai, o amigo, o irmão, a namorada ou a mulher. Ninguém. Vivemos num mundo onde a solidão é tratada como um estigma, um mal a evitar. Algum sábio homem disse que jamais estava menos só do que quando estava só, entregue às reflexões. E no entanto poucas coisas nos enchem de tamanho horror quanto a solidão. É porque não contamos com nós mesmos. E assim - e lá vou eu para mais uma de minhas citações - estamos sempre fugindo de nós mesmos.
A única coisa que temos sob nosso controle somos nós. Nossa mente e nossas ações. O resto, não. Sua namorada deixou você? é triste, se você gostava dela, mas, se você tem presente que deve contar mesmo é com você próprio, esse é um episódio de tranquila superação. Não está no seu controle obrigá-la a amá-lo até o último dia. Sob seu controle está você mesmo. É com você mesmo que você deve contar. Não pode haver mais sólido refúgio do que esse contra as adversidades e incertezas da vida. Foi isso que, naquela cena de Beleza Americana, a mãe disse à filha. Era uma mulher histérica, descontrolada, falsa. Mas, vale a repetição, nem Sócrates poderia ter dito uma coisa mais sábia à garota arrasada.
Pena que eu nunca sigo meus próprios conselhos. :/
sábado, 19 de março de 2011
A cueca, não!
Eu nem era nascido quando a mulherada começou a queimar sutiãs. Foi o pontapé inicial no nosso saco machista. Jóia. Fizeram bem: não dava pra ficar o tempo todo na cozinha com o mundo virando de pernas pro ar nas ruas. Só que a partir desse dia, inferno, elas foram atacando todas as nossas fortalezas. Começaram a dirigir direitinho. Foram jogar futebol. Aprenderam a arrotar o alfabeto. Entraram pro exército. E também pra PM, coisa que até hoje desconfio ser pouco eficiente no combate ao crime: há sempre o risco de confraternização com o inimgo.
Bom, até aí, legal. Estamos mesmo no século 21. Porém, comecei a desconfiar que tudo estava indo pro vinagre quando vi no jornal um trio de arbitragem feminino apitando futebol profissional. E não só apitaram, como ouvi dizer que rolou três beijinhos antes do jogo, como se futebol fosse chá-bar. Ali, ainda achei que não tínhamos perdido o controle da situação por causa da bandeirinha. Na época falou-se muito dela, do rosto, das pernas. Ainda bem, a estética ainda a mantinha como mulher.
Então descobri que um dos novos baratos entre as garotinhas de até 18 anos é usar cueca. Dizem que fica simpático, confortável, é meio andrógino - e por isso sedutor. Ah, pera lá: cueca, não. Cueca é sagrado. É o que dá sorte no reveillon, nos protege do zíper assassino, é a nossa surpresa na hora de tirar a roupa pra amada. A calça vai pro fundo do armário assim que surgem os primeiros quilos a mais. A cueca permanece, fiel. As mulheres usarem cueca é golpe baixo. A gente não tem como revidar. Podemos cozinhar melhor, apitar jogo de vôlei feminino, costurar, bancar os cricris, etc. Agora, usar calcinha? Aqui, ó. Nem no carnaval de Olinda. E não me venham com acusação de machismo, não é isso. Elas é que estão virando machistas, de tanta ganância feminista.
Sério: eu prefiro as mulheres do lado de lá; são muito mais bonitas permanecendo mulheres. Elas lá, nós cá, de vez em quando nos encontrando em lugar neutro e macio. Negócio mais lindo que é um cabelo cheiroso, uma calcinha de algodão, uma insegurançazinha, uma crise de TPM, um cabeleireiro de sábado. Chegou a bater certo desespero em mim. Comecei a listar diferenças entre os sexos. Itens sem grande importância, como a fimose e a tradicional coçada. Lembrem-se: eu estava desesperado.
Belo dia, me acalmei ao ver na TV um show no Cavern Club de Liverpool. No palco, gente de respeito. Paul McCartney no baixo e David Gilmour na guitarra. Pensei: sabe quando seria juntar lendas vivas de qualquer coisa, todas mulheres? Nunca. Elas se matariam no primeiro ensaio. As mulheres são lindas, são ambiciosas, são capazes, blablablá, mas ô gênio sangue-ruim. A gente é disparado mais legal - e a maioria delas próprias concorda. Ufa: a vaga de macho é nossa.
Bom, até aí, legal. Estamos mesmo no século 21. Porém, comecei a desconfiar que tudo estava indo pro vinagre quando vi no jornal um trio de arbitragem feminino apitando futebol profissional. E não só apitaram, como ouvi dizer que rolou três beijinhos antes do jogo, como se futebol fosse chá-bar. Ali, ainda achei que não tínhamos perdido o controle da situação por causa da bandeirinha. Na época falou-se muito dela, do rosto, das pernas. Ainda bem, a estética ainda a mantinha como mulher.
Então descobri que um dos novos baratos entre as garotinhas de até 18 anos é usar cueca. Dizem que fica simpático, confortável, é meio andrógino - e por isso sedutor. Ah, pera lá: cueca, não. Cueca é sagrado. É o que dá sorte no reveillon, nos protege do zíper assassino, é a nossa surpresa na hora de tirar a roupa pra amada. A calça vai pro fundo do armário assim que surgem os primeiros quilos a mais. A cueca permanece, fiel. As mulheres usarem cueca é golpe baixo. A gente não tem como revidar. Podemos cozinhar melhor, apitar jogo de vôlei feminino, costurar, bancar os cricris, etc. Agora, usar calcinha? Aqui, ó. Nem no carnaval de Olinda. E não me venham com acusação de machismo, não é isso. Elas é que estão virando machistas, de tanta ganância feminista.
Sério: eu prefiro as mulheres do lado de lá; são muito mais bonitas permanecendo mulheres. Elas lá, nós cá, de vez em quando nos encontrando em lugar neutro e macio. Negócio mais lindo que é um cabelo cheiroso, uma calcinha de algodão, uma insegurançazinha, uma crise de TPM, um cabeleireiro de sábado. Chegou a bater certo desespero em mim. Comecei a listar diferenças entre os sexos. Itens sem grande importância, como a fimose e a tradicional coçada. Lembrem-se: eu estava desesperado.
Belo dia, me acalmei ao ver na TV um show no Cavern Club de Liverpool. No palco, gente de respeito. Paul McCartney no baixo e David Gilmour na guitarra. Pensei: sabe quando seria juntar lendas vivas de qualquer coisa, todas mulheres? Nunca. Elas se matariam no primeiro ensaio. As mulheres são lindas, são ambiciosas, são capazes, blablablá, mas ô gênio sangue-ruim. A gente é disparado mais legal - e a maioria delas próprias concorda. Ufa: a vaga de macho é nossa.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
A asma do amor
Não há mais dúvidas: quanto mais beira o verossímil, com gritos lancinantes na noite, como assimilamos do cinema, mais fingido é o tal do orgasmo. Nunca é condizente com a nossa performance e o suor. Os melhores e mais recompensadores orgasmosguardam o bom preceito da educação dos gemidos.
Por mais megalomaníaco que seja Vossa Senhoria, recomendo que não acredite naquelas algazarras, feiras amorosas, sacolões do sexo, capazaes de fazer os vizinhos pularem da cama só de inveja. Aquela gritaria toda, meu caro, só vale para provocar um problema dos graves. Deixará o casal que mora do outro lado da parede em pé de guerra, uma vez que a mulher, atenta à lição de gozo comparado, vai exigir mais, muito mais, mais e mais, e mais um pouquinho ainda, do seu colega de prédio ou de rua. E o pior é que os gritos lancinantes só costumam ocorrer quando o gozo não passa de teatro, puro teatro.
O gozo desesperado costuma ter origens variadas, costuma ser resultado de algum curso mal digerido de teatro amador, formação e, escola com viés jesuítico, leitura errada dos preceitos do Actor Studios, dietas à base de alcachofra, audiências tardias das onomatopéias do Led Zeppelin ou falta de homem propriamente dita.
As melhores gazelas educam cedo os gemidos. Em vez de gritos que parecem mais apropriados para momentos de sequestro-relâmpago, a boa moça sussurra e balbucia safadezas no cangote do amado. Mais vale um dos 3.000 verbetes catalogados no Dicionário do Palavrão do que os decibéis selvagens dignos da turbina de um boeing. As melhores não se desesperam. Já imaginou Ava Gardner em desespero? E não me venha dizer que isso seja frigidez, frescura ou algo do tipo.
Uma coisa é a gritaria, quase um SOS, incêndio do Joelma.... Outra é a gemedeira gostosa, fungada sentida, fogo nas entranhas, calor na bacurinha, quase um decassílabo a cada descida, lirismo sem fôlego, asma do amor.
Por mais megalomaníaco que seja Vossa Senhoria, recomendo que não acredite naquelas algazarras, feiras amorosas, sacolões do sexo, capazaes de fazer os vizinhos pularem da cama só de inveja. Aquela gritaria toda, meu caro, só vale para provocar um problema dos graves. Deixará o casal que mora do outro lado da parede em pé de guerra, uma vez que a mulher, atenta à lição de gozo comparado, vai exigir mais, muito mais, mais e mais, e mais um pouquinho ainda, do seu colega de prédio ou de rua. E o pior é que os gritos lancinantes só costumam ocorrer quando o gozo não passa de teatro, puro teatro.
O gozo desesperado costuma ter origens variadas, costuma ser resultado de algum curso mal digerido de teatro amador, formação e, escola com viés jesuítico, leitura errada dos preceitos do Actor Studios, dietas à base de alcachofra, audiências tardias das onomatopéias do Led Zeppelin ou falta de homem propriamente dita.
As melhores gazelas educam cedo os gemidos. Em vez de gritos que parecem mais apropriados para momentos de sequestro-relâmpago, a boa moça sussurra e balbucia safadezas no cangote do amado. Mais vale um dos 3.000 verbetes catalogados no Dicionário do Palavrão do que os decibéis selvagens dignos da turbina de um boeing. As melhores não se desesperam. Já imaginou Ava Gardner em desespero? E não me venha dizer que isso seja frigidez, frescura ou algo do tipo.
Uma coisa é a gritaria, quase um SOS, incêndio do Joelma.... Outra é a gemedeira gostosa, fungada sentida, fogo nas entranhas, calor na bacurinha, quase um decassílabo a cada descida, lirismo sem fôlego, asma do amor.
domingo, 28 de novembro de 2010
Chicabon do desprezo
Nada mais insuportável do que o momento em que nosso desejo irrefreável esbarra naquela velha realidade que vem do banco ao lado:
_Peraí, calma, somos muito amigos, isso não pode ser, calma, isso não vai dar certo!
E aquelas duas garras nos afastam pra longe, quase para fora do carro, deixando-nos com cara de panaca, abestalhados, no acostamento mais insalubre, a chupar o frio chicabon do desprezo.
A nossa paudurescência (neologismo que consolida o momento de ereção enquanto essência do macho) sofre um golpe brutal. Despencamos. O efeito da vodca e do chope vai embora num segundo. E naquele instante mesmo já começamos a ensaiar a dor de consciência do dia seguinte. Que merda.
Isso é o roteiro óbvio, tantas vezes repetidos e ao qual estamos sujeitos desde que inventamos essa história de ser amigo de mulher. É possível, sim, esse tal entrelaçamento fraterno e "cabeça", mas chega um dia, uma noite, que a natureza grita mais alto. É possível, sim, esse tipo de amizade, embora a sociologia cotidiana nos mostra que se trata de um típico fenômeno classe-média, coisa de bacanas - pois não vemos, com a mesma frequência, um pedreiro de tititi com uma amiguinha. Nesse sentido, o proletariado não joga amistosos.
O ideal é fazer um bem-bolado entre a nossa bela educação, afinal estamos sujeitos aos códigos sociais que nos livram da barbárie, e a vontade nietzchiana do pedreiro - aqui não vai preconceito algum, é que meu tio, hoje aposentado da safadeza, já exerceu esse mesmo ofício e se espanta como as novas gerações de marmanjo conseguem ser amigo das mulheres. Como lidar então com o embaraço?
Lembre-se sempre: ninguém come inimigo. A única história desse jeito que conhecemos é a dos índios que devoraram uns jesuítas metidos a catequizadores. Como não se leva à cama inimigos, nada mais natural que o sexo selvagem com as nossas amigas.
Outra desculpa feminina sobre a não-transa entre amigos é o riso. "Imagina, eu e você na cama, vamos nos acabar de rir!", dizem as gazelas. Aí perguntamos, algum problema em rir na cama? Por acaso gostas de sexo com lágrimas? E assim mais um contra-argumento cai por terra diante da imbatível obviedade. Mas o melhor mesmo é reagir, com a frase certa, logo no momento em que a tentativa e o desejo esbarrarem nos ditos laços fraternos.
Ela diz: "Ah, somos amigos..."Ao que você rebate, de primeira, sem deixar a peteca cair: "Não tem problema, qué-qué-isso? Na boa, vamos esragar essa amizade!"
No momento do cigarro (até os não-fumantes acendem seus cigarros imagináriosno pós-sexo), você ainda pode celebrar com uma máxima clássica: "Quando o amor nos visita, a amizade se despede".
_Peraí, calma, somos muito amigos, isso não pode ser, calma, isso não vai dar certo!
E aquelas duas garras nos afastam pra longe, quase para fora do carro, deixando-nos com cara de panaca, abestalhados, no acostamento mais insalubre, a chupar o frio chicabon do desprezo.
A nossa paudurescência (neologismo que consolida o momento de ereção enquanto essência do macho) sofre um golpe brutal. Despencamos. O efeito da vodca e do chope vai embora num segundo. E naquele instante mesmo já começamos a ensaiar a dor de consciência do dia seguinte. Que merda.
Isso é o roteiro óbvio, tantas vezes repetidos e ao qual estamos sujeitos desde que inventamos essa história de ser amigo de mulher. É possível, sim, esse tal entrelaçamento fraterno e "cabeça", mas chega um dia, uma noite, que a natureza grita mais alto. É possível, sim, esse tipo de amizade, embora a sociologia cotidiana nos mostra que se trata de um típico fenômeno classe-média, coisa de bacanas - pois não vemos, com a mesma frequência, um pedreiro de tititi com uma amiguinha. Nesse sentido, o proletariado não joga amistosos.
O ideal é fazer um bem-bolado entre a nossa bela educação, afinal estamos sujeitos aos códigos sociais que nos livram da barbárie, e a vontade nietzchiana do pedreiro - aqui não vai preconceito algum, é que meu tio, hoje aposentado da safadeza, já exerceu esse mesmo ofício e se espanta como as novas gerações de marmanjo conseguem ser amigo das mulheres. Como lidar então com o embaraço?
Lembre-se sempre: ninguém come inimigo. A única história desse jeito que conhecemos é a dos índios que devoraram uns jesuítas metidos a catequizadores. Como não se leva à cama inimigos, nada mais natural que o sexo selvagem com as nossas amigas.
Outra desculpa feminina sobre a não-transa entre amigos é o riso. "Imagina, eu e você na cama, vamos nos acabar de rir!", dizem as gazelas. Aí perguntamos, algum problema em rir na cama? Por acaso gostas de sexo com lágrimas? E assim mais um contra-argumento cai por terra diante da imbatível obviedade. Mas o melhor mesmo é reagir, com a frase certa, logo no momento em que a tentativa e o desejo esbarrarem nos ditos laços fraternos.
Ela diz: "Ah, somos amigos..."Ao que você rebate, de primeira, sem deixar a peteca cair: "Não tem problema, qué-qué-isso? Na boa, vamos esragar essa amizade!"
No momento do cigarro (até os não-fumantes acendem seus cigarros imagináriosno pós-sexo), você ainda pode celebrar com uma máxima clássica: "Quando o amor nos visita, a amizade se despede".
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Minha mão só pensa em você
Saiba, que das 101 mentiras da classe masculina a mais hipócrita é a de número 60 - "Não me masturbo". Como se o sexo tivesse alguma coisa a ver com essa prática milenar. Não é a fortuna sexual que vai nos furtar a vontade. Assim como a TV não matou o cinema e a Internet não substituiu os jornais e as revistas, o sexo não elimina a masturbação. É outra linguagem, outro meio. Como se diz por ae, "a mente move a matéria". Viva a imaginação!
O pior é que a mentira de número 60 embute outra: "Quando me masturbo, só penso em você". Geralmente não. principalmente se você amar ou estiver apaixonado - não se vislumbra o ente querido nessas sessões paranormais. Masturbamo-nos até pela donzela da latinha de Leite Moça, menos em intenção às futuras mães dos nossos filhos. Vamos negar?
E uma mentira puxa outra. Tem mais uma: "Você me masturba tão bem!" Aliás, essa frase aí acho que nunca dissemos na vida (e se dissemos, faltamos com a verdade), pois simplesmente, embora louvemos o esforço de reportagem e a delicadeza, nunca uma mulher conseguiu chegar ao ponto certo entre ritmo, cadência e pressão. Masturbação, como reza a etimologia, é um negócio bem particular. É auto-ajuda, jamais solidariedade ou altruísmo.
Portanto, nas 101 mentiras masculinas, cabiam mais, no mínimo dois verbetes, o 102 e o 103. As mentiras reúnem nossas promessas, arrodeios e medos diante da fúria feminina. Da mentira número 1 ("Vou ligar pra você") à de número 101 ("Tomarei conta de você pra sempre").
A melhor de todas é a de número 99: "Desta vez, falo realmente sério". A 49 também é ótima: "Você é a única que me entende". E a 45 "O que me atrai em você é a sua mente". Enfim, todos nós já fomos flagrados em quase todas as ocasiões citadas na lista. Nascemos nos entregando a desculpas.
Mas não nos enganemos. Pelo menos outras 50 são comuns às mulheres. Principalmente a que citei acima ("Você me masturba tão bem"). Antes dos 20 anos, um homem não sabe sequer dar bom dia a uma mulher. Ao que eu acrescento: depois que o homem aprende a cumprimentar uma mulher, ele passa o resto da vida tentando aprender a tocar direito a criatura. Mas não tem jeito, nunca aprendemos. E só nos resta o contentamento do engano: "nunca nenhum outro homem me tocou tão bem", dizem elas. E nós engolimos, claro, como imbatíveis pessoas do amor.
O pior é que a mentira de número 60 embute outra: "Quando me masturbo, só penso em você". Geralmente não. principalmente se você amar ou estiver apaixonado - não se vislumbra o ente querido nessas sessões paranormais. Masturbamo-nos até pela donzela da latinha de Leite Moça, menos em intenção às futuras mães dos nossos filhos. Vamos negar?
E uma mentira puxa outra. Tem mais uma: "Você me masturba tão bem!" Aliás, essa frase aí acho que nunca dissemos na vida (e se dissemos, faltamos com a verdade), pois simplesmente, embora louvemos o esforço de reportagem e a delicadeza, nunca uma mulher conseguiu chegar ao ponto certo entre ritmo, cadência e pressão. Masturbação, como reza a etimologia, é um negócio bem particular. É auto-ajuda, jamais solidariedade ou altruísmo.
Portanto, nas 101 mentiras masculinas, cabiam mais, no mínimo dois verbetes, o 102 e o 103. As mentiras reúnem nossas promessas, arrodeios e medos diante da fúria feminina. Da mentira número 1 ("Vou ligar pra você") à de número 101 ("Tomarei conta de você pra sempre").
A melhor de todas é a de número 99: "Desta vez, falo realmente sério". A 49 também é ótima: "Você é a única que me entende". E a 45 "O que me atrai em você é a sua mente". Enfim, todos nós já fomos flagrados em quase todas as ocasiões citadas na lista. Nascemos nos entregando a desculpas.
Mas não nos enganemos. Pelo menos outras 50 são comuns às mulheres. Principalmente a que citei acima ("Você me masturba tão bem"). Antes dos 20 anos, um homem não sabe sequer dar bom dia a uma mulher. Ao que eu acrescento: depois que o homem aprende a cumprimentar uma mulher, ele passa o resto da vida tentando aprender a tocar direito a criatura. Mas não tem jeito, nunca aprendemos. E só nos resta o contentamento do engano: "nunca nenhum outro homem me tocou tão bem", dizem elas. E nós engolimos, claro, como imbatíveis pessoas do amor.
domingo, 12 de setembro de 2010
O que eu acho disso tudo
Bem, esse post não vai ser sobre algum assunto geral, ou universal, vai ser mais específico.
Muita gente (muita mesmo) me perguntou o que eu acho da saída do Mike Portnoy do Dream Theater. Acho que agora depois de 3 ou 4 dias, já posso pensar melhor nisso tudo e ter uma opinião mais sensata.
Bem, como praticamente todos que me ocnhecem sabem, Dream Theater é a banda que eu sigo, me dedico, gasto horas da minha vida ouvindo, analisando, estudando sobre, etc. Então por isso acho que tenho embasamento necessário pra falar o que eu acho, se discordar, fuck you, o blog é meu. (troll mode on).
Vamos aos fatos: Mike Portnoy solta uma nota oficial dizendo que decidiu deixar a banda pois queria um tempo e isso não foi concedido. Resumidamente isso com mais algumas pitadas de drama. A grande nação de fãs xiitas da banda se dividiu, alguns concordando com o Portnoy outros discordando. Vou falar sobre o lado que eu estou.
Por mais que goste, admire, idolatre e talvez até entenda o Portnoy um pouco, acho que foi uma atitude sem noção, que com certeza ele vai se arrepender, aliás, pela entrevista que ele deu, já se arrependeu. Sim, ele trabalha demais pelo Dream Theater, cuida não só do lado musical, mas também como várias outras coisas: monta setlist, tem um contato enorme com os fãs, produz, manda, desmanda, impõe, ops, falei demais. Só que ninguém vê o que a banda fez por ele. Todos o apoiaram no tratamento dele, banindo todo e qualquer tipo de bebida pra sempre, aceitaram a condição de ele mandar e desmandar e fazer tudo do jeito que ele quer, e com isso tudo, os outros deixaram de ser sinônimo de Dream Theater. Nada maior que isso em minha opinião.
Ae me vem o Portnoy, pede um tempo pra poder se divertir com outras bandas, enquanto os outros esperam sua boa vontade. Claro que ele achou que eles iam aceitar, porque tudo sempre foi do jeito que ele quis, mas pra sua surpresa, vejam só, disseram não. E com toda razão, porque eles parariam? É a vida deles, de todos eles, a fila anda. Achei a melhor atitude possível contra a atitude um tanto quanto egoísta do nosso querido ex-baterista.
Mas vejamos pelo lado bom, talvez essa saída dê uma injeção de ânimo na banda, as coisas não serão mais do jeito que o Portnoy quer, talvez o Myung volte a compôr, talvez eu volte a escutar as linhas d baixo, talvez o Rudess influencie mais uma volta às raízes prog da banda. Acho que no fim será um mal que veio para o bem.
Agora quer saber o fim da história? Anote aí, dentro de um, dois ou três anos, Portnoy estará de volta, porque ele não terá ninguém pra mandar, e claro com certeza, ele é parte fundamental do Dream Theater, sempre será. A banda grava um DVD/CD Reunion Tour, seremos felizes pra sempre.
Finalizando, me senti como se minha mulher tivesse me traído por um rapazinho com metade da minha idade, que está cheio de vigor sexual, metendo 5 vezes por dia, enquanto a gente fazia isso 3 por semana. Primeiro veio a fase de não entender porque fui trocado, de tentar entender o que eu não tenho que os outros têm, enfim, a fase de achar um culpado. Depois veio a aceitação e a depressão, e agora vem a fase de achar que não foi de todo mal, de que quem sai perdendo na verdade não sou eu.
Comente :*
Muita gente (muita mesmo) me perguntou o que eu acho da saída do Mike Portnoy do Dream Theater. Acho que agora depois de 3 ou 4 dias, já posso pensar melhor nisso tudo e ter uma opinião mais sensata.
Bem, como praticamente todos que me ocnhecem sabem, Dream Theater é a banda que eu sigo, me dedico, gasto horas da minha vida ouvindo, analisando, estudando sobre, etc. Então por isso acho que tenho embasamento necessário pra falar o que eu acho, se discordar, fuck you, o blog é meu. (troll mode on).
Vamos aos fatos: Mike Portnoy solta uma nota oficial dizendo que decidiu deixar a banda pois queria um tempo e isso não foi concedido. Resumidamente isso com mais algumas pitadas de drama. A grande nação de fãs xiitas da banda se dividiu, alguns concordando com o Portnoy outros discordando. Vou falar sobre o lado que eu estou.
Por mais que goste, admire, idolatre e talvez até entenda o Portnoy um pouco, acho que foi uma atitude sem noção, que com certeza ele vai se arrepender, aliás, pela entrevista que ele deu, já se arrependeu. Sim, ele trabalha demais pelo Dream Theater, cuida não só do lado musical, mas também como várias outras coisas: monta setlist, tem um contato enorme com os fãs, produz, manda, desmanda, impõe, ops, falei demais. Só que ninguém vê o que a banda fez por ele. Todos o apoiaram no tratamento dele, banindo todo e qualquer tipo de bebida pra sempre, aceitaram a condição de ele mandar e desmandar e fazer tudo do jeito que ele quer, e com isso tudo, os outros deixaram de ser sinônimo de Dream Theater. Nada maior que isso em minha opinião.
Ae me vem o Portnoy, pede um tempo pra poder se divertir com outras bandas, enquanto os outros esperam sua boa vontade. Claro que ele achou que eles iam aceitar, porque tudo sempre foi do jeito que ele quis, mas pra sua surpresa, vejam só, disseram não. E com toda razão, porque eles parariam? É a vida deles, de todos eles, a fila anda. Achei a melhor atitude possível contra a atitude um tanto quanto egoísta do nosso querido ex-baterista.
Mas vejamos pelo lado bom, talvez essa saída dê uma injeção de ânimo na banda, as coisas não serão mais do jeito que o Portnoy quer, talvez o Myung volte a compôr, talvez eu volte a escutar as linhas d baixo, talvez o Rudess influencie mais uma volta às raízes prog da banda. Acho que no fim será um mal que veio para o bem.
Agora quer saber o fim da história? Anote aí, dentro de um, dois ou três anos, Portnoy estará de volta, porque ele não terá ninguém pra mandar, e claro com certeza, ele é parte fundamental do Dream Theater, sempre será. A banda grava um DVD/CD Reunion Tour, seremos felizes pra sempre.
Finalizando, me senti como se minha mulher tivesse me traído por um rapazinho com metade da minha idade, que está cheio de vigor sexual, metendo 5 vezes por dia, enquanto a gente fazia isso 3 por semana. Primeiro veio a fase de não entender porque fui trocado, de tentar entender o que eu não tenho que os outros têm, enfim, a fase de achar um culpado. Depois veio a aceitação e a depressão, e agora vem a fase de achar que não foi de todo mal, de que quem sai perdendo na verdade não sou eu.
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