Apenas metáforas e pensamentos cotidianos e verdades que provavelmente ninguém, ou muito poucos entenderão.
Está tudo certo conosco. O pensamento que pensa em você. A liberdade livre. Parece filme. Hoje eu vi um casal partindo rumo a escuridão: parece que comiam salada de frutas em qualquer lugar. O que me encanta em você é o seu segredo. nele reside a minha vida agora. Só choro às vezes, comendo sucrilhos. "Meu Deus, como isto é bom!"
Nada de novo no mundo a não ser nós. Hoje você veio aqui e me disse literalmente: "O cérebro em seu seio flui macio e verdadeiro. Mas deixe um desvio acontecer: seria mais fácil você devolver a correnteza aos seus caminhos quando as correntes cortarem as colinas".
Odeio estar sozinho, mas não suporto interrupções. Abro minha janela e vejo, sabese lá o quê. Um esquilo, nunca vi. Com binóculos, menos ainda, nem formigas. "não é possível que no fim o milagre não aconteça." Como eu pensava em você, enquanto você não vinha.
Ninguém sabe de onde vem o vento. E tampouco as sobrancelhas. Dito isso, vamos nos perder. Muito mais razoável, portanto, é abrir espaço para o acaso, o fortuito. Afinal, a vida é gratuita, fortuita. Assim quis Deus. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos. E nos procuramos em vão.
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou. Quando penso em alguém, só penso em você. Nunca tive paciência com os escritores que reclamam do leitor um esforço para compreender o que eles querem dizer. As mais sutis reflexões podem ser expressadas com clareza. A descendência do caos, do mar e do céu. Ela me explicou, eu não ouvi.
Estou inventando uma nova visão do amor. A verdade é que não me lembro mais com o que não me conformo. Fã do oxigênio, arauto da luz, protetor das formigas. A vida é uma seqüência de tragédias com pores-do-sol. E o rio Amazonas com sua perturbadora biodiversidade.
Não sei o que será da Avenida Paulista quando Cronos agarrado em Zeus cuspir sua última pedra. De Ipanema quando Iemanjá e suas nove musas conferirem o divino poder das canções. O próprio comportamento sexual deverá tornar-se pingüim. E assim por diante.
Guardem isto: "Mudar as mentalidades e a vida dos homens". Os seres humanos são apenas uma parte do tecido da vida - dependentes do tecido completo para sua própria existência. Os amigos são como uma linha tão sutil que não notamos as costuras que nos unem. Não podemos ignorar as formigas. Elas são galáxias em si. E por aí vão. Cada animal é um fim em si mesmo - sai perfeito do ventre da natureza e gera filhotes. Eu falo em nome do verde da folha.
A meta é ar puro circulando, rios correndo limpos e desimpedidos, a presença dos pelicanos, águias e baleias em nossas vidas. Salmão e trutas em nossas correntes. Linguagem cristalina e sonhos bons. Outra operação.
Tipo tecido cósmico alinhavado. Não é possível que no fim um milagre não aconteça. Conosco vai tudo bem. Não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio pau a bandeira da imaginação.
"Mas MuMu....."
Fim de papo.
sábado, 23 de maio de 2009
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Post rápido
Sem nomes, aos que me ajudaram ae sábado, aos que me ligarma pra saber como tava, aos que deixaram de fazer algo por preocupação, é disso que eu vou lembrar sempre, nessas horas que a gente reconhece quem tá mesmo com a gente, vlw demais :*
Fim
Fim
domingo, 10 de maio de 2009
Redescobrimento
Hoje não estou aqui para postar coisas como de costume, hoje por incrível que pareça estou aqui para falar de mim. Então, se seu interesse é apenas em textos de auto-ajuda, procure algo do Alair Ribeiro hoje, e pare de ler por aqui.
Bem, no(s) último(s) meses, muita coisa têm mudado, mais distantes de uns, mais próximos de outros, e fazendo coisas com as quias nunca me imaginei fazendo antes. Ontem eu fui acampar, sim, exatamente isso, quem me conhece de longa data pode estranhar, mas é isso, ACAMPAR, no mato, com bichos, escuro, sem internet, barulho e poluição, cantando Kumbaya e assando marshmallow. Enfim, claro que fui com a idéia pre-concebida na cabeça. Mato, uma carne mal feita, um frio glacial, e volta pra casa, o que pode existir de graça nisso tudo? Nada.
Mas enfim, me enganei, redondamente. Primeiramente, pessoas fodas, Candidos' Family e Pedrão. Nem tenho como descrever o tanto que parecia que eles queriam que fosse importante pra mim, e foi. Segundo, fiz coisas impensáveis quando se trata de mim. Toquei reggae, nadei na cachoeira a meia noite num frio estonteante, eu também nem acredito ainda, mas enfim, mas mais importante, me redescobri, não sei se essa é a melhor palavra, mas é a única que eu tenho por enquanto, se tiver uma palavra melhor pra isso depois que ler o texto todo, por favor poste nos comentários.
Foram 3 momentos que eu preciso tentar descrever. Primeiro, um primeiro momento onde na verdade bateu uma pequena depressão (novidade), onde eu fiquei no carro a noite pensando em coisas. Pensamentos misturados, flashes antigos, amigos esquecidos, mulheres futuras, mas tudo muito random, nada muito lógico. Mas com certeza foi algo intenso pra mim. lembrei de coisas que eu não sonhava em lembrar. Depois eu conto pra quem quiser saber, PESSOALMENTE.
Segundo, esse foi o momento mais intenso e foda que eu vivi em toda a minha vida, e que como sempre, como todos os momentos fodas, eu não tinha ninguém do meu lado pra compartilhar comigo, não sei se isso é uma sina divina ou algo do gênero, mas sempre foi assim. E esse momento vai ficar comigo e apenas comigo, durante muito tempo, nunca sonhei qua algo de tamanho porte ia acontecer comigo, no meio do mato as 7:30 da manhã. A foto postada foi exatamente logo depois de ter acontecido, ninguém nunca vai entender essa foto, mas eu preciso que ela fique aí. Algo assim, já valeu meu ano todo, e talvez esse tenha sido o momento do redescbrimento, foi muito forte, e com certeza não esquecerei nunca. parafraseando um amigo ae, "eu tenho algo pra contar pros meus netos".
Terceiro, depois desse segundo evento fiquei meio abalado/feliz/estranho/abalado. E fui pra cachoeira sentei lá e fui repensar na vida, pois as visões tinham mudado um pouco. E agora todos os pensamentos da noite anterior, bagunçados ficaram claros, cheguei a muitas conclusões, amigos de verdade, falsos, ex-amigos, interesseiros, os que realmente gostam de você, os que não. Mulheres, ex, novas, futuras, paixões, desespero, brigas, alegrias, sim eu acho que já amei de verdade. Família, brigas, falta de afeto, culpa minha quase sempre, admito, vontade de mudar. Minha vida passou diante dos meus olhos. Literalmente minha vida inteira. Sim, chorei, fiquei alegre, nadei, lavei a alma. Cheguei a conclusão que de tudo que eu já vivi, e foi muito, eu posso tirar algo bom, e hoje eu tirei muita coisa boa, eliminei muita coisa ruim, filtrei o que tinha que ser filtrado e sei lá, uma fase nova, que talvez só eu entenda, começa agora. Quem quiser saber mais sobre, é só perguntar, mas isso não é conversa pra MSN.
GG, Bubu, Gudin, Pedrão. Foi com certeza a experiência mais intensa da minha vida, e vocês conribuiram 100% memso sem saber. Obrigado mesmo :*
Não sei quando eu volto aqui agora \o/
Bem, no(s) último(s) meses, muita coisa têm mudado, mais distantes de uns, mais próximos de outros, e fazendo coisas com as quias nunca me imaginei fazendo antes. Ontem eu fui acampar, sim, exatamente isso, quem me conhece de longa data pode estranhar, mas é isso, ACAMPAR, no mato, com bichos, escuro, sem internet, barulho e poluição, cantando Kumbaya e assando marshmallow. Enfim, claro que fui com a idéia pre-concebida na cabeça. Mato, uma carne mal feita, um frio glacial, e volta pra casa, o que pode existir de graça nisso tudo? Nada.
Mas enfim, me enganei, redondamente. Primeiramente, pessoas fodas, Candidos' Family e Pedrão. Nem tenho como descrever o tanto que parecia que eles queriam que fosse importante pra mim, e foi. Segundo, fiz coisas impensáveis quando se trata de mim. Toquei reggae, nadei na cachoeira a meia noite num frio estonteante, eu também nem acredito ainda, mas enfim, mas mais importante, me redescobri, não sei se essa é a melhor palavra, mas é a única que eu tenho por enquanto, se tiver uma palavra melhor pra isso depois que ler o texto todo, por favor poste nos comentários.
Foram 3 momentos que eu preciso tentar descrever. Primeiro, um primeiro momento onde na verdade bateu uma pequena depressão (novidade), onde eu fiquei no carro a noite pensando em coisas. Pensamentos misturados, flashes antigos, amigos esquecidos, mulheres futuras, mas tudo muito random, nada muito lógico. Mas com certeza foi algo intenso pra mim. lembrei de coisas que eu não sonhava em lembrar. Depois eu conto pra quem quiser saber, PESSOALMENTE.
Segundo, esse foi o momento mais intenso e foda que eu vivi em toda a minha vida, e que como sempre, como todos os momentos fodas, eu não tinha ninguém do meu lado pra compartilhar comigo, não sei se isso é uma sina divina ou algo do gênero, mas sempre foi assim. E esse momento vai ficar comigo e apenas comigo, durante muito tempo, nunca sonhei qua algo de tamanho porte ia acontecer comigo, no meio do mato as 7:30 da manhã. A foto postada foi exatamente logo depois de ter acontecido, ninguém nunca vai entender essa foto, mas eu preciso que ela fique aí. Algo assim, já valeu meu ano todo, e talvez esse tenha sido o momento do redescbrimento, foi muito forte, e com certeza não esquecerei nunca. parafraseando um amigo ae, "eu tenho algo pra contar pros meus netos".
Terceiro, depois desse segundo evento fiquei meio abalado/feliz/estranho/abalado. E fui pra cachoeira sentei lá e fui repensar na vida, pois as visões tinham mudado um pouco. E agora todos os pensamentos da noite anterior, bagunçados ficaram claros, cheguei a muitas conclusões, amigos de verdade, falsos, ex-amigos, interesseiros, os que realmente gostam de você, os que não. Mulheres, ex, novas, futuras, paixões, desespero, brigas, alegrias, sim eu acho que já amei de verdade. Família, brigas, falta de afeto, culpa minha quase sempre, admito, vontade de mudar. Minha vida passou diante dos meus olhos. Literalmente minha vida inteira. Sim, chorei, fiquei alegre, nadei, lavei a alma. Cheguei a conclusão que de tudo que eu já vivi, e foi muito, eu posso tirar algo bom, e hoje eu tirei muita coisa boa, eliminei muita coisa ruim, filtrei o que tinha que ser filtrado e sei lá, uma fase nova, que talvez só eu entenda, começa agora. Quem quiser saber mais sobre, é só perguntar, mas isso não é conversa pra MSN.
GG, Bubu, Gudin, Pedrão. Foi com certeza a experiência mais intensa da minha vida, e vocês conribuiram 100% memso sem saber. Obrigado mesmo :*
Não sei quando eu volto aqui agora \o/
domingo, 3 de maio de 2009
Falaram mal de mim!
Eu tinha brigado com minha primeira namorada. (Pode também ter sido com a segunda. Sempre posso estar enganado. É um direito legítimo de um pseudo escritor barato como eu. balzac não poderia estar enganado. Tolstoi também não. Eu, sim. mas chega de digressão.) Ela, a primeira ou segunda namorada, me dissera coisas que pareceram pesadas. Eu estava arrasado. Meu sábio tio butequeiro notou meu estado de espírito lamentável. me perguntou o que acontecera. Respondi. Basicamente disse que ela achava que eu não valia nada. Que jamais seria alguém na vida. Que era preguiçoso. Que minha ambição era desumanamente pequena. Que por isso meu futuro era menos promissor que o de um chiclete mascado. Tenho que admitir que naquela tempestade de ofensas ela encontrou uma grande tirada, essa do chiclete. Ainda hoje, quando masco um chiclete, me lembro da comparação. De certa forma me vejo ali no chiclete mascado. (O tempo provaria que em muitas coisas ela acertara nos vaticínios sombrios. Mas não quero falar sobre isso aqui.)
Meu tio, com sua voz de Fred Flintstone, me disse que um dia eu entenderia que o importante não é o que as pessoas pensam sobre a gente. Mas o que nós pensamos de nós mesmos. A opinião alheia pesa muito mais sobre nós que nossa própria opinião. É engraçado. É patético. Somos vulneráveis, infantilmente vulneráveis ao que dizem e pensam de nós. Se nos elogiam, exultamos. Se nos criticam, ficamos deprimidos. O que nós mesmos pensamos sobre nós e nossas ações quase não interessa diante da opinião, da voz alheia. E então me ocorre uma conversa posterior do meu tio sobre o mesmo assunto. Sabedoria, quando alguém vem dizer que falaram mal de você, segundo meu tio, é responder que aquela pessoa maledicente não sabe metade dos seus defeitos.
Somos escravos da opinião dos outros. Achamos que eles julgam grande nosso nariz? Pagamos 5 mil reais por uma cirurgia plástica. Achamos que eles não gostam das nossas roupas? Vestimos as roupas que eles gostariam que nós vestíssemos. Achamos que eles só nos respeitarão se tivermos um carro novo e caro? Compramos. Vivemos, por paradoxal que seja, para os outros, não para nós mesmos. Você e sua namorada, por exemplo. Aposto que você, antes de fazer alguma coisa no relacionamento, pensa no que ela vai pensar a respeito de sua atitude. Não no que você vai pensar. Essa atitude de tentar agradar aos outros e esquecer da sua própria opinião .... nem comento.
Claro que não estou advogando o egoísmo. É o oposto. Estou simplesmente dizendo que o importante é que você se respeite, não que os outros o respeitem. E a gente faz coisas horríveis na tentativa desesperada de conquistar o respeito dos outros. Coisas que muitas vezes nos levam a perder o respeito por nós mesmos. (Alguém falou aí em filosofia barata? Mas o que mais poderia se esperar de um pseudo escritor barato? Raciocínios de Platão?) Se estamos acorrentados à voz alheia, sofremos freqüentemente por um reconhecimento que não vem. Isso acontece na vida amorosa. E talvez mais ainda na vida corporativa. E então termino com uma frase que meu tio gosta de citar. Confúcio, se não me engano. (Mas posso... bem, não vou repetir.) Mais ou menos assim: o sábio está demasiadamente empenhado em fazer coisas que lhe trarão reconhecimento para perder tempo esperando por reconhecimento.
fikdik
Meu tio, com sua voz de Fred Flintstone, me disse que um dia eu entenderia que o importante não é o que as pessoas pensam sobre a gente. Mas o que nós pensamos de nós mesmos. A opinião alheia pesa muito mais sobre nós que nossa própria opinião. É engraçado. É patético. Somos vulneráveis, infantilmente vulneráveis ao que dizem e pensam de nós. Se nos elogiam, exultamos. Se nos criticam, ficamos deprimidos. O que nós mesmos pensamos sobre nós e nossas ações quase não interessa diante da opinião, da voz alheia. E então me ocorre uma conversa posterior do meu tio sobre o mesmo assunto. Sabedoria, quando alguém vem dizer que falaram mal de você, segundo meu tio, é responder que aquela pessoa maledicente não sabe metade dos seus defeitos.
Somos escravos da opinião dos outros. Achamos que eles julgam grande nosso nariz? Pagamos 5 mil reais por uma cirurgia plástica. Achamos que eles não gostam das nossas roupas? Vestimos as roupas que eles gostariam que nós vestíssemos. Achamos que eles só nos respeitarão se tivermos um carro novo e caro? Compramos. Vivemos, por paradoxal que seja, para os outros, não para nós mesmos. Você e sua namorada, por exemplo. Aposto que você, antes de fazer alguma coisa no relacionamento, pensa no que ela vai pensar a respeito de sua atitude. Não no que você vai pensar. Essa atitude de tentar agradar aos outros e esquecer da sua própria opinião .... nem comento.
Claro que não estou advogando o egoísmo. É o oposto. Estou simplesmente dizendo que o importante é que você se respeite, não que os outros o respeitem. E a gente faz coisas horríveis na tentativa desesperada de conquistar o respeito dos outros. Coisas que muitas vezes nos levam a perder o respeito por nós mesmos. (Alguém falou aí em filosofia barata? Mas o que mais poderia se esperar de um pseudo escritor barato? Raciocínios de Platão?) Se estamos acorrentados à voz alheia, sofremos freqüentemente por um reconhecimento que não vem. Isso acontece na vida amorosa. E talvez mais ainda na vida corporativa. E então termino com uma frase que meu tio gosta de citar. Confúcio, se não me engano. (Mas posso... bem, não vou repetir.) Mais ou menos assim: o sábio está demasiadamente empenhado em fazer coisas que lhe trarão reconhecimento para perder tempo esperando por reconhecimento.
fikdik
sábado, 25 de abril de 2009
Aqui. Agora

Por mais clichê que possa parecer, leia até o fim :)
Gosto de um pensamento essencial do zen-budismo (alguém me disse que era). Mais ou menos assim: o passado já passou. Não importa mais. Para que ficar pensando nele, para que se atormentar com o que já aconteceu? O futuro ainda não existe. Para que se preocupar ocm ele, se não temos idéia do que será o amanhã? O que há de concreto é o presente. O aqui e agora. Viver concentrado no presente, sem voltar inutilmente a mente para o passado nem encaminhá-la também inutilmente para o futuro, é parte da resposta para quem tenta livrar-se das aflições, ansiedades, amarguras que fazem parte da vida de todos nós.
Acho que esse jeito zen de ser teria muita utilidade na vida romântica. Quanto tempo os casais não perdem em brigas e sofrimentos por causa do passado ou do futuro? Esse tempo desperdiçado poderia e deveria ser desfrutado alegremente se vivêssemos o presente, se nos focássemos em aproveitar o que está aconteecendo aqui e agora. Hoje você me ama e eu amo você, e estamos uito felizes por ser assim. Uma atitude baseada nesses pontos elementares traz felicidade. Mas o que acontece quase sempre é exatamente o oposto. Recriminações e amarguras mútuas por coisas passadas. Preocupações muitas vezes neuróticas com um futuro cuja existência está apenas em nossa cabeça. Então jogamos cruelmente no lixo o que poderiam ser momentos de prazer. E optamos, por força de uma mente que se agita como um cavalo selvagem, pelo sofrimento. Isso não é deliberado. É involuntário. Mas a dor é a mesma.
"O.k., MuMu", você pode perguntar, "mas o que posso fazer para mudar?" Eis uma boa pergunta, para a qual não tenho uma resposta precisa, somente algumas pistas. Uma dessas pistas me sugere que talvez diminuíssemos consideravelmente nossa dor se procurássemos entender que tudo é impermanente. Há um tempo para nascer e outro para morrer. Há um tempo para florescer e outro para decair. Tudo o que se ergue se destrói. Tudo passa. A juventude. O vigor. O cargo.A carreira. Esse blog onde eu digito minhas ridículas opiniões. O amor. Isso é a impermanência. Na tentativa desesperada de deter o que não pode ser detido, sofremos intensamente. E em vão. Tente segurar a água nas mãos. Ela escorrerá, quer você queira ou não. Tente segurar o ritmo da vida. Também não adiantará. Se compreendemos a i mpermanência e, ainda mais que isso, a aceitamos, estamos preparados para viver o aqui e agor ano amor. E em tudo o mais. O amanhã? Quem sabe? E o que interessa? Sobretudo: quem o controla? Se não bastasse tudo isso, ele está tão distante não é? Amanhã você vai estar junto da mulher que tanto ama hoje? Você pode se atormentar com essa dúvida e estragar grandes momentos. Ou pode apenas gozar o presente. Experimentar a eternidade de um instante que se desvanecerá com a rapidez com que uma onda se desfaz ao chegar à beira do mar, mas cujo encanto perdurará num tocante e poético desafio à impermanência. O aqui e agora.
E então olho para o espelho. Vejo quantas coisas perdi, na vida amorosa, por estar preso ao passado e cheio de insegura ansiedade em relação ao futuro. Tantas passagens que poderiam decorar gloriosamente as paredes de minha memória foram manchadas por minha incapacidade de abraçar apenas o presente. Tanta felicidade ao alcance de meus dedos e no entanto a opção cega pela dor, pelo medo, pelo rancor. Sinto uma vontade excruciante de pedir desculpas a quem feri por não conseguir viver o aqui e agora. Eu achava que sabia muito sobre o amor e era um ignorante pretensioso. Ainda sou. Mas você só pode enfrentar a ignorância se reconhecer primeiro que é ignorante. Reconheço. A caminhada é longa e árdua. Exige disciplina, exige esforço da mente, exige concentração. Mas, como dizia meu sábio tio butequeiro do interior, toda jornada começa pelo primeiro passo.
PS.: como eu queria seguir tudo que escrevo :/
PS 2: Idéias para o texto tiradas depois de uma longa e boa conversa com um grande amigo pelas madrugadas da vida. :)
Gosto de um pensamento essencial do zen-budismo (alguém me disse que era). Mais ou menos assim: o passado já passou. Não importa mais. Para que ficar pensando nele, para que se atormentar com o que já aconteceu? O futuro ainda não existe. Para que se preocupar ocm ele, se não temos idéia do que será o amanhã? O que há de concreto é o presente. O aqui e agora. Viver concentrado no presente, sem voltar inutilmente a mente para o passado nem encaminhá-la também inutilmente para o futuro, é parte da resposta para quem tenta livrar-se das aflições, ansiedades, amarguras que fazem parte da vida de todos nós.
Acho que esse jeito zen de ser teria muita utilidade na vida romântica. Quanto tempo os casais não perdem em brigas e sofrimentos por causa do passado ou do futuro? Esse tempo desperdiçado poderia e deveria ser desfrutado alegremente se vivêssemos o presente, se nos focássemos em aproveitar o que está aconteecendo aqui e agora. Hoje você me ama e eu amo você, e estamos uito felizes por ser assim. Uma atitude baseada nesses pontos elementares traz felicidade. Mas o que acontece quase sempre é exatamente o oposto. Recriminações e amarguras mútuas por coisas passadas. Preocupações muitas vezes neuróticas com um futuro cuja existência está apenas em nossa cabeça. Então jogamos cruelmente no lixo o que poderiam ser momentos de prazer. E optamos, por força de uma mente que se agita como um cavalo selvagem, pelo sofrimento. Isso não é deliberado. É involuntário. Mas a dor é a mesma.
"O.k., MuMu", você pode perguntar, "mas o que posso fazer para mudar?" Eis uma boa pergunta, para a qual não tenho uma resposta precisa, somente algumas pistas. Uma dessas pistas me sugere que talvez diminuíssemos consideravelmente nossa dor se procurássemos entender que tudo é impermanente. Há um tempo para nascer e outro para morrer. Há um tempo para florescer e outro para decair. Tudo o que se ergue se destrói. Tudo passa. A juventude. O vigor. O cargo.A carreira. Esse blog onde eu digito minhas ridículas opiniões. O amor. Isso é a impermanência. Na tentativa desesperada de deter o que não pode ser detido, sofremos intensamente. E em vão. Tente segurar a água nas mãos. Ela escorrerá, quer você queira ou não. Tente segurar o ritmo da vida. Também não adiantará. Se compreendemos a i mpermanência e, ainda mais que isso, a aceitamos, estamos preparados para viver o aqui e agor ano amor. E em tudo o mais. O amanhã? Quem sabe? E o que interessa? Sobretudo: quem o controla? Se não bastasse tudo isso, ele está tão distante não é? Amanhã você vai estar junto da mulher que tanto ama hoje? Você pode se atormentar com essa dúvida e estragar grandes momentos. Ou pode apenas gozar o presente. Experimentar a eternidade de um instante que se desvanecerá com a rapidez com que uma onda se desfaz ao chegar à beira do mar, mas cujo encanto perdurará num tocante e poético desafio à impermanência. O aqui e agora.
E então olho para o espelho. Vejo quantas coisas perdi, na vida amorosa, por estar preso ao passado e cheio de insegura ansiedade em relação ao futuro. Tantas passagens que poderiam decorar gloriosamente as paredes de minha memória foram manchadas por minha incapacidade de abraçar apenas o presente. Tanta felicidade ao alcance de meus dedos e no entanto a opção cega pela dor, pelo medo, pelo rancor. Sinto uma vontade excruciante de pedir desculpas a quem feri por não conseguir viver o aqui e agora. Eu achava que sabia muito sobre o amor e era um ignorante pretensioso. Ainda sou. Mas você só pode enfrentar a ignorância se reconhecer primeiro que é ignorante. Reconheço. A caminhada é longa e árdua. Exige disciplina, exige esforço da mente, exige concentração. Mas, como dizia meu sábio tio butequeiro do interior, toda jornada começa pelo primeiro passo.
PS.: como eu queria seguir tudo que escrevo :/
PS 2: Idéias para o texto tiradas depois de uma longa e boa conversa com um grande amigo pelas madrugadas da vida. :)
domingo, 19 de abril de 2009
A esquina
O mundo cabia ali, naquela esquina. Meus amigos e eu naquela esquina. Paaso por ela em minha mente, tantos anos depois, e revejo por um instante os rostos jovens, inocentes e cheios de esperança da turma que se reunia na esquina. Éramos jovens, éramos imortais, éramos os invencíveis. O Totó, o Zezé, o Banus, o Minhoca, o Ed, o Artime, o Pepê. O Belisco e o Maguila. Cada um de nós têm na memória dois ou três lugares que definiram uma época, uma ida, um sonho. Aquela esquina é, para mim, um desse slugares sagrados.
Meus amigos. Descer a minha rua para encontrá-los na esquina era um grande programa. Eu podia contar com meus amigos. Eles podiam contar comigo. Éramos um só. Isso acontece apenas em momentos especiais. Você e seus amigos como um todo. Depois a vida como ela é se apresenta e os amigos se dispersam. Ficam fragmentos, às vezes. Mas a verdade é que aquela proximidade, aquela intensidade, aquela intimidade, aquela cumplicidade, isso fica lá pra trás. Existe um momento solene e impassível de repetição em que os amigos e nós somos um só, e exatamente por isso podemos enfrentar tudo. A minha esquina. A nossa esquina. Ríamos muito. Encontrávamos em tudo motivos pra rir. Amigos riem muito. Basta às vezes um olhar. Todos entendem o significado desse olhar mudo e todos caem na gargalhada. Muitas vezes o humor entre amigos vem simplesmente do nada. Como diz meu sábio tio butequeiro, um homem sábio do interior, a mais legítima prova de amizade está na risada sem motivos. Nós ríamos com motivo e sem motivo na esquina.
E flertávamos também. Lá vinha a Ana Estela com seus olhos assombrosamente azuis. Mais azuis do que um céu de verão adolescente, juro. Ela e outras meninas passavam a uma prudente dstância de nós. Jamais na mesma calçada. Mas a verdade é que estávamos muito mais ocupados em rir do que em namorar. Depois que crescemos um pouco os risos se alternaram com inquietação. Foi na esquina que recebemos, perplexos, a notícia de que o Badô tinha se matado. Virou o revólver contra a cabeça e apertou o gatilho. Um pouco mais velho que nós. Drogas. Aprendemos muita coisa sobre a vida na esquina. Agora também aprendíamos sobre a morte. A morte absurda, jovem, estarrecedora. Outras baixas haveriam. O Edu numa briga. O Mingo numa moto. Talvez não fôssemos tã imortais quanto supúnhamos.
E eis que a esquina como um ponto mágico um dia se perdeu. Tento lembrar se houve uma última vez, um último encontro. Não, não houve. É como se um dia tivéssemos combinado de nos encontrar no dia seguinte na esquina e, por alguma razão insondável, simplesmente não tivéssemos comparecido. Melhor assim. Imagino, olhando para trás, como teria sido dura uma despedida de nós e de nossa esquina, um dia tão amada como a mais amada das namoradas. Ninguém se despede da inocência sem tristeza e dor. E então me ocorre que se por um momento eu pudesse voltar a ser garoto, correria à esquina e diria a meus amigos: "Amo vocês. Obrigado por tantas coisas boas." Nós não nos despedimos. Apenas um di adeixamos de aparecer naquela esquina em que cabia o mundo, e à qual às vezes volto, na imaginação e na saudade, em noites frias e escuras na busca do calor e da luz que a mera lembrança dos meus amigos traz.
Agor aminhas esquinas voltaram a existir, um pouco diferentes de uma esquina real, mas com o mesmo sentimento da minha esquina antiga, Minha esquina chamada MSN onde eu encontro com meus amigos que ficam longe de mim, minha esquina na casa do Gudin, onde eu me divirto tocando forró (sim, exatamente isso, eu me divirto tocando forró), e onde as risadas sem motivo revivem novamente, minha esquina chamada "meu quarto", onde meus amigos passam noites e noites conversando até as 6 da manhã, rindo de um ronco ou de um peido, coisas idiotas que fazem da minha vida algo que valha a pena se lembrar.
Enfim, que essas esquinas não se desfaçam mais, nunca mais. Desculpe pelo texto longo.
:*
Meus amigos. Descer a minha rua para encontrá-los na esquina era um grande programa. Eu podia contar com meus amigos. Eles podiam contar comigo. Éramos um só. Isso acontece apenas em momentos especiais. Você e seus amigos como um todo. Depois a vida como ela é se apresenta e os amigos se dispersam. Ficam fragmentos, às vezes. Mas a verdade é que aquela proximidade, aquela intensidade, aquela intimidade, aquela cumplicidade, isso fica lá pra trás. Existe um momento solene e impassível de repetição em que os amigos e nós somos um só, e exatamente por isso podemos enfrentar tudo. A minha esquina. A nossa esquina. Ríamos muito. Encontrávamos em tudo motivos pra rir. Amigos riem muito. Basta às vezes um olhar. Todos entendem o significado desse olhar mudo e todos caem na gargalhada. Muitas vezes o humor entre amigos vem simplesmente do nada. Como diz meu sábio tio butequeiro, um homem sábio do interior, a mais legítima prova de amizade está na risada sem motivos. Nós ríamos com motivo e sem motivo na esquina.
E flertávamos também. Lá vinha a Ana Estela com seus olhos assombrosamente azuis. Mais azuis do que um céu de verão adolescente, juro. Ela e outras meninas passavam a uma prudente dstância de nós. Jamais na mesma calçada. Mas a verdade é que estávamos muito mais ocupados em rir do que em namorar. Depois que crescemos um pouco os risos se alternaram com inquietação. Foi na esquina que recebemos, perplexos, a notícia de que o Badô tinha se matado. Virou o revólver contra a cabeça e apertou o gatilho. Um pouco mais velho que nós. Drogas. Aprendemos muita coisa sobre a vida na esquina. Agora também aprendíamos sobre a morte. A morte absurda, jovem, estarrecedora. Outras baixas haveriam. O Edu numa briga. O Mingo numa moto. Talvez não fôssemos tã imortais quanto supúnhamos.
E eis que a esquina como um ponto mágico um dia se perdeu. Tento lembrar se houve uma última vez, um último encontro. Não, não houve. É como se um dia tivéssemos combinado de nos encontrar no dia seguinte na esquina e, por alguma razão insondável, simplesmente não tivéssemos comparecido. Melhor assim. Imagino, olhando para trás, como teria sido dura uma despedida de nós e de nossa esquina, um dia tão amada como a mais amada das namoradas. Ninguém se despede da inocência sem tristeza e dor. E então me ocorre que se por um momento eu pudesse voltar a ser garoto, correria à esquina e diria a meus amigos: "Amo vocês. Obrigado por tantas coisas boas." Nós não nos despedimos. Apenas um di adeixamos de aparecer naquela esquina em que cabia o mundo, e à qual às vezes volto, na imaginação e na saudade, em noites frias e escuras na busca do calor e da luz que a mera lembrança dos meus amigos traz.
Agor aminhas esquinas voltaram a existir, um pouco diferentes de uma esquina real, mas com o mesmo sentimento da minha esquina antiga, Minha esquina chamada MSN onde eu encontro com meus amigos que ficam longe de mim, minha esquina na casa do Gudin, onde eu me divirto tocando forró (sim, exatamente isso, eu me divirto tocando forró), e onde as risadas sem motivo revivem novamente, minha esquina chamada "meu quarto", onde meus amigos passam noites e noites conversando até as 6 da manhã, rindo de um ronco ou de um peido, coisas idiotas que fazem da minha vida algo que valha a pena se lembrar.
Enfim, que essas esquinas não se desfaçam mais, nunca mais. Desculpe pelo texto longo.
:*
domingo, 12 de abril de 2009
Amizade e hipocrisia.
Bem, esse texto talvez seja um pouco controverso, mas é legal analisar as coisas por um outro lado.
Eu confesso: não sou amigo de ex-namoradas. Ao contrário de outros caras, não faço o menor esforço para manter a amizade de quem saiu da minha cama... ops, digo, vida, dos meus pensamentos e da minha agenda. Não é por raiva, não é por mágoa, não é por revanche. É simplesmente por desinteresse. O elo que nos uniu foi rompido na separação. Aquela vontade de estar junto, de compartilhar as pequenas coisas do cotidiano, de trocar um olhar furtivo e cúmplice no meio da multidão perdeu-se. Não sobra base nenhuma em cima da qual construir uma relação de amizade. Quem já foi tudo para alguém é melhor que se transforme em nada, com a ruptura, e não em pouco.
Não estou dizendo que se deva ser rude, tosco, bruto. Não advogo aqui que se vire o rosto pro lado num reencontro fortuito. Ou que se bata o telefone na cara ao ouvir aquela voz cujo timbre, poder e influência tiveram tanto significado pra você. Também não prego que se lancem calúnias sobre ela e, embora seja grande a tentação, sobre ele, o novo homem. (Porque o novo homem é inapelavelmente um perfeito idiota, um canalha absoluto.) E acho uma tolice, na separação, pegar por birra, e só por birra, os livros e os discos que você sabe que são os prediletos dela. Tudo isos seriam provas de um espírito fraco, vingativo. O que recomendo, e pratico, é a indiferença. A indiferença pode ser natural, o que é a melhor opção. Ou pode ser também cultivada, caso a namorada perdida continue a ter presença em seus pensamentos. O que se deve evitar, enfim, é a continuação empobrecida, sem sentido e quase sempre hipócrita de uma relação que se acabou.
Por mais que se diga e que se finja que não, um homem só é genuinamente amigo de outro homem. O pequeno grande código da amizade não mistura homens e mulheres. Imagine dois amigos num bar, falando de futebol. Mais especificamente do soberbo futebol que alguns clubes têm praticado ultimamente. A descrição da série endiabrada de dribles daquele jogador é bruscamente interrompida quando uma mulher gostosa passa diante dos dois amigos. Ambos olham pra ela, depois um para o outro, e então vem um sorriso que diz e resume tudo. E enfim se retoma a conversa paralisada: isso é o retrato da amizade entre dois caras. É impossível reproduzir essa situação quando se trata de um homem e uma mulher. Logo, não há chance de amizade. Eu citei uma situação clássica, na verdade odeio futebol. Mas há dezenas de outras, que vocês conhecem tão bem quanto eu. E sei que o inverso é também verdadeiro: uma mulher só é realmente amiga de outra mulher. (Embora a inveja e a rivalidade entre as mulheres, em geral num grau acentuadamente maior do que o que se verifica entre nós, atrapalham muitas amizades. Mas isso é problema delas, não meu).
Uma relação entre um homem e uma mulher pode ser divina. Uma das maiores bençãos que os deuses concederam ao homem é estar dentro de uma mulher amada, unidos no corpo, unidos na alma, num lapso de tempo que, embora precário, se confunde com a eternidade. Uma dupla, metade masculina e metade feminina, pode formar um universo de enlevo, êxtase e inspiração. Mas a amizade fica de fora. Sejamos objetivos: o único amigo genuíno que uma mulher pode encontrar no gênero masculino é, até para reproduzir a situação clássica masculina, aquele que há de compartilhar com ela um olhar cúmplice de admiração quando irromper um homem considerado bonito oO.
Enfim, claro que muitas pessoas não concordarão com isso, até muitos homens. E queria que não me levassem a mal, não sou tão ranzinza quanto pareço, eu acho.
Fikdik.
Eu confesso: não sou amigo de ex-namoradas. Ao contrário de outros caras, não faço o menor esforço para manter a amizade de quem saiu da minha cama... ops, digo, vida, dos meus pensamentos e da minha agenda. Não é por raiva, não é por mágoa, não é por revanche. É simplesmente por desinteresse. O elo que nos uniu foi rompido na separação. Aquela vontade de estar junto, de compartilhar as pequenas coisas do cotidiano, de trocar um olhar furtivo e cúmplice no meio da multidão perdeu-se. Não sobra base nenhuma em cima da qual construir uma relação de amizade. Quem já foi tudo para alguém é melhor que se transforme em nada, com a ruptura, e não em pouco.
Não estou dizendo que se deva ser rude, tosco, bruto. Não advogo aqui que se vire o rosto pro lado num reencontro fortuito. Ou que se bata o telefone na cara ao ouvir aquela voz cujo timbre, poder e influência tiveram tanto significado pra você. Também não prego que se lancem calúnias sobre ela e, embora seja grande a tentação, sobre ele, o novo homem. (Porque o novo homem é inapelavelmente um perfeito idiota, um canalha absoluto.) E acho uma tolice, na separação, pegar por birra, e só por birra, os livros e os discos que você sabe que são os prediletos dela. Tudo isos seriam provas de um espírito fraco, vingativo. O que recomendo, e pratico, é a indiferença. A indiferença pode ser natural, o que é a melhor opção. Ou pode ser também cultivada, caso a namorada perdida continue a ter presença em seus pensamentos. O que se deve evitar, enfim, é a continuação empobrecida, sem sentido e quase sempre hipócrita de uma relação que se acabou.
Por mais que se diga e que se finja que não, um homem só é genuinamente amigo de outro homem. O pequeno grande código da amizade não mistura homens e mulheres. Imagine dois amigos num bar, falando de futebol. Mais especificamente do soberbo futebol que alguns clubes têm praticado ultimamente. A descrição da série endiabrada de dribles daquele jogador é bruscamente interrompida quando uma mulher gostosa passa diante dos dois amigos. Ambos olham pra ela, depois um para o outro, e então vem um sorriso que diz e resume tudo. E enfim se retoma a conversa paralisada: isso é o retrato da amizade entre dois caras. É impossível reproduzir essa situação quando se trata de um homem e uma mulher. Logo, não há chance de amizade. Eu citei uma situação clássica, na verdade odeio futebol. Mas há dezenas de outras, que vocês conhecem tão bem quanto eu. E sei que o inverso é também verdadeiro: uma mulher só é realmente amiga de outra mulher. (Embora a inveja e a rivalidade entre as mulheres, em geral num grau acentuadamente maior do que o que se verifica entre nós, atrapalham muitas amizades. Mas isso é problema delas, não meu).
Uma relação entre um homem e uma mulher pode ser divina. Uma das maiores bençãos que os deuses concederam ao homem é estar dentro de uma mulher amada, unidos no corpo, unidos na alma, num lapso de tempo que, embora precário, se confunde com a eternidade. Uma dupla, metade masculina e metade feminina, pode formar um universo de enlevo, êxtase e inspiração. Mas a amizade fica de fora. Sejamos objetivos: o único amigo genuíno que uma mulher pode encontrar no gênero masculino é, até para reproduzir a situação clássica masculina, aquele que há de compartilhar com ela um olhar cúmplice de admiração quando irromper um homem considerado bonito oO.
Enfim, claro que muitas pessoas não concordarão com isso, até muitos homens. E queria que não me levassem a mal, não sou tão ranzinza quanto pareço, eu acho.
Fikdik.
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