segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Você é apenas um menino.

Andei lendo meus textos de 2007 e como sei que muita gente que lê hoje não lia antigamente vou repostar um dos meus textos preferidos daquela época. Enjoy.

Você é um menino. Treze, catorze anos. Inseguro, tímido. Começa a se interessar pelas mulheres. E não vai demorar para perceber que mulheres e problemas aparecem juntos em sua vida. Você não sabe lidar com o mundo novo no qual está entrando. Sua voz está mudando. Os pêlos estão aparecendo. O futebol já não é seu único interesse. Aparecem os primeiros bailes. Você não sabe direito que roupas escolher. As sugestões de sua mãe lhe parecem horríveis. Mãe nunca acerta na roupa do filho, uma lei tão velha e tão eterna quanto as estrelas no céu e as ondas no mar. Ser criança era muito mais fácil.




E então você olha para os garotos um pouco mais velhos. Eles estão nas classes um ou dois ou três anos mais adiantadas que a sua. Seu olhar mistura admiração e inveja. Eles parecem tão seguros. Tão confiantes. Alguns ameaçam um bigode, uma barba. A voz jha está definida. E as meninas da sua classe estão apaixonadas por eles, não por você. Eles são mais altos que você. Eles são melhores que você. Já devem até ter dormido com alguma menina. E você jamais viu uma mulher nua que não fosse sua mãe ou não estivessse numa revista. Eles se libertaram daqueles programas sem graça com a família. Mas seu dia chegará. Os dias hão de passar. Você vai crescer e seus problemas desaparecerão. Você será um homem firme, forte, como os caras mais velhos.



E eis que você é como eles. Os caras maiores que você via de longe. Você imaginava que sua vida seria outra. Mas não foi bem assim. Você cresceu, sua voz engrossou. Você até viaja sozinho, sem os pais, com os amigos. A virgindade ficou pra trás, mas você já percebeu que o sexo não é o fenômeno extraterrestre que você pensava ser antes de experimentá-lo. É bom, às vezes muito bom, algumas vezes ótimo. Mas não é coisa de outro mundo. A terra não treme sempre ao se fazer sexo, ao contrário do que você sonhava. Você já é um homem. Ou quase um homem. E pensava que a segurança máscula viesse com o tempo, com a mesma naturalidade com que a terra se molha quando vem a chuva. Mas não.



E então você olha para os homens feitos. Formados, empregados. Alguns casados. eles, sim, são os típícos homens. Basta olhar para o andar seguro, o olhar firme. Eles não têm dúvidas, não têm medos como você. Os mais ricos têm carros chiques. Pagam com cartões de crédito, e não com o dinheiro pedido a seu pai, como você. Uns vestem gravatas que devem valer duas mesadas suas. Alguns têm um cartão em que estão escritos os nomes e o cargo. Nada parece ser capaz de abalá-los. Eles não sentem vontade, nas noites escuras, de pedir um refúgio na cama de seus pais. Você sente, às vezes. Seja honesto: você fez isso outro dia.



Seu dia chegará. E chegou. Você se formou. Arrumou um emprego promissor. Tem um cartão profissional. O carro podia ser melhor, mas é bom. Tem ar-condicionado e som. O namoro é firme. Deve terminar em casamento. Seu armário tem até um blazer Armani que você comprou num momento de entusiasmo e desvario. Mil reais. Você parece o cara mais seguro do mundo, como todos os seus colegas e amigos. Mas só parece. Lá dentro continua uma criança, como todos os seus colegas e amigos. Todos disfarçam bem. Todos aprenderam que ser homem é ser forte. Você queria gritar socorro, mas não convém demonstrar fraqueza. Você queria se abrigar no colo de seu pai, mas ele já não está lá. E então você ri, porque a vida é mesmo engraçada, repleta de crianças fingindo-se de homens até o último dos dias.

domingo, 21 de agosto de 2011

Existe vida numa relação sem sexo?Vocês estão juntos há um tempão e se amam. A conta conjunta está no vermelho, a sua prima é amiga da tia dela, vocês compraram uma casa. Com tudo isso, qual o problema de, num domingão, em plena sessão de cinema no sofá, dar mais vontade de ficar deitado juntinho do que de transar? Nenhum, se isso acontecer uma vez ou outra. O problema começa quando só se tem vontade de ficar juntinho. Piora se, depois de várias reprises dessa cena, um dos dois muda de opinião sobre ser tão gostoso assim apenas ficar juntinho. E se torna insustentável na hora em que ela (ou você) se sente um lixo erótico, a versão humana do peixe-boi.

Ela o apóia nas horas complicadas, implica com seus amigos, te pentelha se sente seu bafo de cachaça e não rola a menor tensão sexual entre vocês? Então você não tem mais uma mulher: tem duas mães.

Sentir-se desejado é tão vital quanto vitamina C: um agarrão inesperado, uma sacanagem ao ouvido fazem o dia valer a pena, reluzem o ego. A ausência desses pequenos carinhos e, mais tarde, do ranger da cama, é um tremendo indicador de que tem algo bem errado na relação.O tesão é a demonstração instintiva do quanto queremos aquela pessoa perto, dentro, misturada a nós. Ou do quanto não fazemos questão disso. Já passou da hora de acabar com essa hipocrisia de que, depois de um tempo, o sexo se torna desimportante para os casais. Como assim? Quer dizer que num determinado momento viramos samambaias? Não, mas nos tornamos peritos em negar o óbvio: a relação está, sim, na UTI.

É impossível não ficar abalado quando nosso parceiro e o abajur surtem o mesmo efeito sobre nossa libido, mas é possível ignorarmos os sintomas e continuar "nos dando superbem". A vaca vai de vez pro brejo quando buscamos em outros corpos os toques, beijos e orgasmos ausentes e tão necessários.

Será que vale a pena viver comendo fora ou menosprezar a própria sexualidade em prol de um relacionamento estável?

Não, não vale. Cedo ou tarde ele deixará de ser estável para ser penosamente estabilizado (e dará cada vez mais trabalho, feito carro consertado em mecânico ruim). Existem, sim, diversos fatores essenciais numa boa relação: cumplicidade, amor, apoio, carinho, mas isso tudo é insuficiente sem tesão. É como biscoito de polvilho: é até gostosinho, mas não mata a fome. É preciso muito mais sustança.

E, uma noite, adormecemos angustiados ao lado da pessoa que escolhemos para tornar a vida melhor, mais clara. Nos damos conta de que viramos amiguinhos. Somos tomados por uma insatisfação que nada consegue sanar: nos sentimos incompletos por vivermos numa farsa particular. E entristecemos, porque é mesmo doloroso notar que não bastam amigos, filhos, móveis e lembranças para sermos felizes ao lado de alguém: nenhum passado em comum salva um presente inegavelmente divergente. Não basta a vontade de ficar juntinhos no sofá: tem que existir desejo. E, se ele estiver mesmo morto, o melhor a fazer (pelos dois) é aceitar que você a amará por muito tempo - um amor fraternal e cuidadoso -, mas que deve vagar seu lugar na cama.

Se dá pra ser feliz numa relação sem sexo? Claro que dá. Se você for uma orquídea.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

The new me

Dizem que as pessoas aprendem sobre si, ou tem a chance d escolher um caminho na adolescência. Que depois de velhos ou adultos, pra usar uma palavra menos pesada, não podemos aprender mais nada, nosso caráter já está formado.

Depois de uma noite sem dormir pensando sobre tudo, cheguei a conclusão que pelo menos tentar eu posso. Já sou velho, formado, com emprego, etc. Mas acho que a frase "nunca é tarde pra tentar algo novo" vem bem a calhar no momento.

Sabe a sensação de que por mais que você tente, as coisas não funcionam? Por mais que você se esforce, claro, do seu jeito, porque isso é algo bem subjetivo, as coisas sempre voltam contra você? Por mais que você seja bom nada de bom você recebe. Depois de 7 anos preso a alguém, você se fode como se nada tivesse acontecido. Sei que vou rir disso um dia, mas vou rir quando eu estiver melhor, mais seguro, com o foda-se ligado e piscando igual sirene.

E pra chegar a esse ponto é o que vou começar a trabalhar a partir desse momento. Tentar ser mais seguro de mim, fazer as coisas pra mim, pensar mais em mim.  Estou errado? Qual o ponto em doar anos pra alguém e não receber nada em troca? É coisa de retardado. Fato. Então a partir de hoje, além de mim, só recebe de mim coisas boas, presentes, carinho, amizade, amor, quem merece. Caso contrário foda-se.

E também mudar no sentido de ser mais solto, mais sociável, mais cool. Vo trabalhar nisso. Se não der resultados, ae eu vou ver que o problema não é comigo. Nem nunca foi. Claro que mudar meu jeito não vai mudar quem eu sou. Eu vou continuar sendo o amigo de sempre, o cara de sempre, mas com atitudes diferentes. Será que ficou claro? É tipo a mesma coisa mudar a decoração da sua casa. Você se sente em um lugar diferente, mas mesmo assim ainda se sente como seu lar, o de sempre. Enfim, depois dos acontecimentos desse fim de semana, acho que tá na hora. Quem tava comigo fique a vontade pra continuar comigo, esses vão ser lembrados sempre, e não vão se arrepender.

7 anos são uma vida, algo que pra ser jogado fora assim, do jeito que foi, porra. Vou ter que reaprender muita coisa, e espero que meus amigos me ajudem nessa tarefa. Acho que é isso.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Terceiro Ato

Aos 10 anos, eu acreditava que a idade adulta começava aos 20. Aos 20, achei que ainda não havia chegado lá e decretei que adultos eram só com mais de 30. (Covenhamos, apenas seis primaveras depois da oitava série, você é, no máximo, um pós-adolescente: provavelmente ainda mora com os pais, deixa a toalha molhada em cima da cama e siglas como IPTU ou FGTS fazem muito menos sentido do que MILF ou THC.) Ao completar a terceira década de vida, contudo, não tive como protelar: alguns fios brancos no queixo, projeto de rugas nos cantos dos olhos e entradas moderadas avançando pelo couro - já não tão - cabeludo me atestavam, no espelho: eis aí um espécime maduro, acabado e plenamente desenvolvido de homo sapiens. E sabe o quê? Fiquei bastante contente com a descoberta.

A infância é terrível. Você precisa chamar as autoridades competentes até mesmo para limpar a bunda, é incapaz de organizar verbalmente as idéias mais rudimentares e, quando o faz por outras vias, como pintando a parede da sala com seu estojo de canetinhas, fica um mês sem sobremesa. A infância é uma espécie de condicional, após a solitária do útero. Uma liberdade vigiada, que deve te preparar para a próxima fase infeliz: a adolescência. Ser adolescente é mais ou menos como mendigar em Paris ou estagiar numa empresa bacana: você já está lá, mas não pode participar da festa; porque é duro, porque é nerd, porque é prego, ou porque tem que decorar o número atômico dos alcalinos terrosos e a função das mitocôndrias para a prova da Fuvest.

Só tive o que comemorar, portanto, quando terminaram essas duas fases de tutela e me vi finalmente livre. Aos 30, você escolhe bola, campo e o time em que quer jogar. Tá bom, pode reclamar que sua bola não é uma Jabulani, que o gramada está mais para uma várzea do Buracanã do que para o tapete do Camp Nou, que no seu time só tem perna de pau. Mas uma das vantagens da idade adulta é que, ao contrário da infância e da adolescência, que passam num piscar de olhos - ou num xixizinho e numa ejaculação precoce, para nos atermos a imagens mais condizentes com o assunto - , a maturidade dura quatro décadas; é tempo suficiente para se acostumar consigo mesmo ou para mudar a situação. E talvez seja essa a maior lição da maturidade: saber discernir entre as coisas que você pode e precisa lutar para mudar e aquelas que deve sipmlesmente aceitar. Na infância ou na adolescência, ser ruim nos esportes era algo que me atormentava. "Por que, ó, Deus, fizeste-me o último a ser escolhido em todos os times, na educação física?", eu perguntaria ao Senhor, se Nele acreditasse e decidisse importuná-Lo com meus resmungos. Hoje, isso é apenas um dado, quase indiferente, como ter cabelo castanho ou ser canhoto.

Se você está em torno dos 30, pode lutar durante os próximos 40 anos para realizar projetos e conquistar a(s) mulher(es) por quem estiver a fim, para correr uma maratona ou ganhar dinheiro; mas vai ter que aceitar suas orelhas de abano ou pernas finas, o fato de não ter lábia de Don Juan, a inteligência do Einstein, nem a conta do Bill Gates. E por que não aceitaria? O mundo é grande, tá cheio de gente interessante e tem um monte de coisa boa para fazer, mesmo não podendo pegar sempre a mais gata da festa, jamais descobrir uma segunda teoria da relatividade, nem comprar um iate, numa quarta-feira à tarde, se estiver um pouco entediado.

Três décadas. Dá o que pensar. Mas não tenhamos pressa. Como disse uma amiga minha: "Não se preocupe MuMu, os homens começam aos 30". Com calma, vamos aproveitar esse longo terceiro ato, antes que chegue o quarto - a velhice - e o quinto - sobre o qual não convém falar, por estar muito lá pra frente, só bem depois dos 90. Ou dos cem? Cento e dez? Cento e quinze, cento e vinte...

VIP (y)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Imperfeito, graças a Deus.

Eu lembro quando eu assistia aquele programa da MTV alguns anos atrás, I Want a Famous Face. Dois irmãos gêmeos queriam ficar com a cara do Brad Pitt. Tudo o que conseguiram foi ficar com a cara do Brad Pitt - só que de um desenhado por uma criança de 3 anos. No outro episódio, o sonho da garota era virar a Pamela Anderson. Veja só: ela queria parecer com alguém que já parece ter sido feita em laboratório. Mas enfim, foi lá, colocou silicone, injetou gordura na boca pra ficar com aquela expressão eterna de tesão de mulher em capa de filme pornô e saiu esfuziante. Finalmente, não era mais ela mesma.

Até onde vai chegar essa falta de amor por si próprio, essa negação de si mesmo?

Não existe mais lugar para o imperfeito. Algo nos faz acreditar que só seremos dignos de atenção, de amor, se tudo em nós for acertado, milimetricamente dimensionado, duro e liso. A mentira das fotos de revista virou verdade: não importa que aquelas coxas magníficas da fulana e a barriga de tanque do sicrano foram resultados de horas e horas de correção por computador; o que importa é o que se vê. E isso assusta, porque é meio difícil ficar igual a algo que não existe. A realidade sempre estará aquém do referencial. Pior: o real esvaziou-se de importância. Não interessa se você tem dinheiro, cultura, sucesso. Interessa, isso sim, se aparenta ter.

Cada vez mais gente troca a individualidade pela aprovação dos outros e se torna um clone fajuto de seres pré-aprovados pela platéia ou uma versão mentirosamente melhorada de si mesmo. Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento (quem tiver mais de 25 anos já deve ter ouvido esse ditado).

Não vejo problema algum em acertar um nariz torto, levantar peitos caídos, ou dar uma arrumada no que eu arrumei (sim, eu já arrumei, mas ninguém precisa ficar sabendo o que MUAHAHA). O que me amedronta é essa insanidade que leva a um tipo inédito e estúpido de mutilação, a mutilação pró-fama. O que são dores, anestesia, o período angustiante de recuperação perante a cara de espanto dos amigos, o despeito das amigas, os futuros flashes? Nem para os índios na época do descobrimento o espelho era tão fascinante. Eles trocavam ouro pra ter um pedaço de si refletido. Hoje em dia, troca-se de rosto, de corpo, por elogios, muitas vezes fajutos.

Jamais fomos tão carentes de aceitação. Nunca fomos tão egocêntricos.

Adoraria perder uns quilos. Chegando aos 30, também seria legal outras coisas. mas não deixo de me sentir interessante, digno de receber elogios, amor, porque a calça, ocasionalmente, não fecha. Não me acho um lixo porque comprovo diariamente a existência de homens mais sarados e fortes e com cabelos bons do que eu. Gosto de ser quem eu sou e prezo quem tem a mesma relação consigo mesmo - pobres (e chatas) as pessoas que se odeiam por não atender às expectativas alheias.

As débeis que vendem até a alma para ter a bocona da Angelina Jolie ou a cintura da HAlle Berry deveriam saber que a primeira se divorciou porque o marido transava até com a fruteira e a segunda vive sozinha porque não controla o próprio ciúme. Ter dimensões e formas idealizadas não livra ninguém da infelicidade. Apenas o transforma num infeliz bonito na foto.

Uma coisa é certa: seríamos muito mais felizes se investíssemos em terapia o que gastamos sugando banha e esticando a cara.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Conte com você mesmo

Uma cena de Beleza Americana me impressionou particularmente. O filme todo é bom, aliás. Tenho que vê-lo de novo. Acho comovedora aqula busca desesperada e vã do homem pela juventude perdida. Mandar para o lixo a carreira bem-comportada depois de uma conversa franca com o chefe e ir trabalhar numa lanchonete, sem metas e cobranças que fossem além de entregar com um sorriso um hambúrguer para o freguês. Comprar um carrão imprestavelmente lindo de 20 anos atrás apenas para realizar um sonho que ficara lá longe num mundo que se perdera. E correr atrás de uma garota como se fosse, ele próprio, um garoto, e não um homem vencido pelo correr dos dias. Braços remando contra a correnteza. Somos condenados a remar contra a correnteza, e só não encerro essa digressão porque me ocorre uma frase cortante como a melhor espada samurai: o tempo nos tira as certezas que temos na juventude e, ao perdê-las, vai com elas uma ousadia petulante que é maravilhosa por ser ingênua. E essa é a maior das maldades do tempo, ainda que as certezas fossem, todas elas, erradas.

Mas era sobre a cena da primeira sentença que eu queria falar. A mãe frustrada, que imagina encontrar a resposta para um casamento miserável nos braços de um amante rico e engomado, diz para a filha depois de uma briga conjugal que terminou com pratos lançados na parede: "Você aprendeu a maior de todas as lições. Você aprendeu que tem que contar apenas com você mesma". Quando narrei esse episódio a um amigo, ele disse:"Sócrates não teria falado nada melhor".

Temos que contar com nós mesmos, e no entanto quase sempre depositamos nossa felicidade (ou nossa infelicidade) nos outros. Ninguém pode nos ajudar se nós próprios não nos ajudamos. Ninguém mesmo: nem a mãe, o pai, o amigo, o irmão, a namorada ou a mulher. Ninguém. Vivemos num mundo onde a solidão é tratada como um estigma, um mal a evitar. Algum sábio homem disse que jamais estava menos só do que quando estava só, entregue às reflexões. E no entanto poucas coisas nos enchem de tamanho horror quanto a solidão. É porque não contamos com nós mesmos. E assim - e lá vou eu para mais uma de minhas citações - estamos sempre fugindo de nós mesmos.

A única coisa que temos sob nosso controle somos nós. Nossa mente e nossas ações. O resto, não. Sua namorada deixou você? é triste, se você gostava dela, mas, se você tem presente que deve contar mesmo é com você próprio, esse é um episódio de tranquila superação. Não está no seu controle obrigá-la a amá-lo até o último dia. Sob seu controle está você mesmo. É com você mesmo que você deve contar. Não pode haver mais sólido refúgio do que esse contra as adversidades e incertezas da vida. Foi isso que, naquela cena de Beleza Americana, a mãe disse à filha. Era uma mulher histérica, descontrolada, falsa. Mas, vale a repetição, nem Sócrates poderia ter dito uma coisa mais sábia à garota arrasada.

Pena que eu nunca sigo meus próprios conselhos. :/

sábado, 19 de março de 2011

A cueca, não!

Eu nem era nascido quando a mulherada começou a queimar sutiãs. Foi o pontapé inicial no nosso saco machista. Jóia. Fizeram bem: não dava pra ficar o tempo todo na cozinha com o mundo virando de pernas pro ar nas ruas. Só que a partir desse dia, inferno, elas foram atacando todas as nossas fortalezas. Começaram a dirigir direitinho. Foram jogar futebol. Aprenderam a arrotar o alfabeto. Entraram pro exército. E também pra PM, coisa que até hoje desconfio ser pouco eficiente no combate ao crime: há sempre o risco de confraternização com o inimgo.

Bom, até aí, legal. Estamos mesmo no século 21. Porém, comecei a desconfiar que tudo estava indo pro vinagre quando vi no jornal um trio de arbitragem feminino apitando futebol profissional. E não só apitaram, como ouvi dizer que rolou três beijinhos antes do jogo, como se futebol fosse chá-bar. Ali, ainda achei que não tínhamos perdido o controle da situação por causa da bandeirinha. Na época falou-se muito dela, do rosto, das pernas. Ainda bem, a estética ainda a mantinha como mulher.

Então descobri que um dos novos baratos entre as garotinhas de até 18 anos é usar cueca. Dizem que fica simpático, confortável, é meio andrógino - e por isso sedutor. Ah, pera lá: cueca, não. Cueca é sagrado. É o que dá sorte no reveillon, nos protege do zíper assassino, é a nossa surpresa na hora de tirar a roupa pra amada. A calça vai pro fundo do armário assim que surgem os primeiros quilos a mais. A cueca permanece, fiel. As mulheres usarem cueca é golpe baixo. A gente não tem como revidar. Podemos cozinhar melhor, apitar jogo de vôlei feminino, costurar, bancar os cricris, etc. Agora, usar calcinha? Aqui, ó. Nem no carnaval de Olinda. E não me venham com acusação de machismo, não é isso. Elas é que estão virando machistas, de tanta ganância feminista.

Sério: eu prefiro as mulheres do lado de lá; são muito mais bonitas permanecendo mulheres. Elas lá, nós cá, de vez em quando nos encontrando em lugar neutro e macio. Negócio mais lindo que é um cabelo cheiroso, uma calcinha de algodão, uma insegurançazinha, uma crise de TPM, um cabeleireiro de sábado. Chegou a bater certo desespero em mim. Comecei a listar diferenças entre os sexos. Itens sem grande importância, como a fimose e a tradicional coçada. Lembrem-se: eu estava desesperado.

Belo dia, me acalmei ao ver na TV um show no Cavern Club de Liverpool. No palco, gente de respeito. Paul McCartney no baixo e David Gilmour na guitarra. Pensei: sabe quando seria juntar lendas vivas de qualquer coisa, todas mulheres? Nunca. Elas se matariam no primeiro ensaio. As mulheres são lindas, são ambiciosas, são capazes, blablablá, mas ô gênio sangue-ruim. A gente é disparado mais legal - e a maioria delas próprias concorda. Ufa: a vaga de macho é nossa.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A asma do amor

Não há mais dúvidas: quanto mais beira o verossímil, com gritos lancinantes na noite, como assimilamos do cinema, mais fingido é o tal do orgasmo. Nunca é condizente com a nossa performance e o suor. Os melhores e mais recompensadores orgasmosguardam o bom preceito da educação dos gemidos.

Por mais megalomaníaco que seja Vossa Senhoria, recomendo que não acredite naquelas algazarras, feiras amorosas, sacolões do sexo, capazaes de fazer os vizinhos pularem da cama só de inveja. Aquela gritaria toda, meu caro, só vale para provocar um problema dos graves. Deixará o casal que mora do outro lado da parede em pé de guerra, uma vez que a mulher, atenta à lição de gozo comparado, vai exigir mais, muito mais, mais e mais, e mais um pouquinho ainda, do seu colega de prédio ou de rua. E o pior é que os gritos lancinantes só costumam ocorrer quando o gozo não passa de teatro, puro teatro.

O gozo desesperado costuma ter origens variadas, costuma ser resultado de algum curso mal digerido de teatro amador, formação e, escola com viés jesuítico, leitura errada dos preceitos do Actor Studios, dietas à base de alcachofra, audiências tardias das onomatopéias do Led Zeppelin ou falta de homem propriamente dita.

As melhores gazelas educam cedo os gemidos. Em vez de gritos que parecem mais apropriados para momentos de sequestro-relâmpago, a boa moça sussurra e balbucia safadezas no cangote do amado. Mais vale um dos 3.000 verbetes catalogados no Dicionário do Palavrão do que os decibéis selvagens dignos da turbina de um boeing. As melhores não se desesperam. Já imaginou Ava Gardner em desespero? E não me venha dizer que isso seja frigidez, frescura ou algo do tipo.

Uma coisa é a gritaria, quase um SOS, incêndio do Joelma.... Outra é a gemedeira gostosa, fungada sentida, fogo nas entranhas, calor na bacurinha, quase um decassílabo a cada descida, lirismo sem fôlego, asma do amor.

domingo, 28 de novembro de 2010

Chicabon do desprezo

Nada mais insuportável do que o momento em que nosso desejo irrefreável esbarra naquela velha realidade que vem do banco ao lado:

_Peraí, calma, somos muito amigos, isso não pode ser, calma, isso não vai dar certo!

E aquelas duas garras nos afastam pra longe, quase para fora do carro, deixando-nos com cara de panaca, abestalhados, no acostamento mais insalubre, a chupar o frio chicabon do desprezo.

A nossa paudurescência (neologismo que consolida o momento de ereção enquanto essência do macho) sofre um golpe brutal. Despencamos. O efeito da vodca e do chope vai embora num segundo. E naquele instante mesmo já começamos a ensaiar a dor de consciência do dia seguinte. Que merda.

Isso é o roteiro óbvio, tantas vezes repetidos e ao qual estamos sujeitos desde que inventamos essa história de ser amigo de mulher. É possível, sim, esse tal entrelaçamento fraterno e "cabeça", mas chega um dia, uma noite, que a natureza grita mais alto. É possível, sim, esse tipo de amizade, embora a sociologia cotidiana nos mostra que se trata de um típico fenômeno classe-média, coisa de bacanas - pois não vemos, com a mesma frequência, um pedreiro de tititi com uma amiguinha. Nesse sentido, o proletariado não joga amistosos.

O ideal é fazer um bem-bolado entre a nossa bela educação, afinal estamos sujeitos aos códigos sociais que nos livram da barbárie, e a vontade nietzchiana do pedreiro - aqui não vai preconceito algum, é que meu tio, hoje aposentado da safadeza, já exerceu esse mesmo ofício e se espanta como as novas gerações de marmanjo conseguem ser amigo das mulheres. Como lidar então com o embaraço?

Lembre-se sempre: ninguém come inimigo. A única história desse jeito que conhecemos é a dos índios que devoraram uns jesuítas metidos a catequizadores. Como não se leva à cama inimigos, nada mais natural que o sexo selvagem com as nossas amigas.

Outra desculpa feminina sobre a não-transa entre amigos é o riso. "Imagina, eu e você na cama, vamos nos acabar de rir!", dizem as gazelas. Aí perguntamos, algum problema em rir na cama? Por acaso gostas de sexo com lágrimas? E assim mais um contra-argumento cai por terra diante da imbatível obviedade. Mas o melhor mesmo é reagir, com a frase certa, logo no momento em que a tentativa e o desejo esbarrarem nos ditos laços fraternos.

Ela diz: "Ah, somos amigos..."Ao que você rebate, de primeira, sem deixar a peteca cair: "Não tem problema, qué-qué-isso? Na boa, vamos esragar essa amizade!"

No momento do cigarro (até os não-fumantes acendem seus cigarros imagináriosno pós-sexo), você ainda pode celebrar com uma máxima clássica: "Quando o amor nos visita, a amizade se despede".

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Minha mão só pensa em você

Saiba, que das 101 mentiras da classe masculina a mais hipócrita é a de número 60 - "Não me masturbo". Como se o sexo tivesse alguma coisa a ver com essa prática milenar. Não é a fortuna sexual que vai nos furtar a vontade. Assim como a TV não matou o cinema e a Internet não substituiu os jornais e as revistas, o sexo não elimina a masturbação. É outra linguagem, outro meio. Como se diz por ae, "a mente move a matéria". Viva a imaginação!

O pior é que a mentira de número 60 embute outra: "Quando me masturbo, só penso em você". Geralmente não. principalmente se você amar ou estiver apaixonado - não se vislumbra o ente querido nessas sessões paranormais. Masturbamo-nos até pela donzela da latinha de Leite Moça, menos em intenção às futuras mães dos nossos filhos. Vamos negar?

E uma mentira puxa outra. Tem mais uma: "Você me masturba tão bem!" Aliás, essa frase aí acho que nunca dissemos na vida (e se dissemos, faltamos com a verdade), pois simplesmente, embora louvemos o esforço de reportagem e a delicadeza, nunca uma mulher conseguiu chegar ao ponto certo entre ritmo, cadência e pressão. Masturbação, como reza a etimologia, é um negócio bem particular. É auto-ajuda, jamais solidariedade ou altruísmo.

Portanto, nas 101 mentiras masculinas, cabiam mais, no mínimo dois verbetes, o 102 e o 103. As mentiras reúnem nossas promessas, arrodeios e medos diante da fúria feminina. Da mentira número 1 ("Vou ligar pra você") à de número 101 ("Tomarei conta de você pra sempre").

A melhor de todas é a de número 99: "Desta vez, falo realmente sério". A 49 também é ótima: "Você é a única que me entende". E a 45 "O que me atrai em você é a sua mente". Enfim, todos nós já fomos flagrados em quase todas as ocasiões citadas na lista. Nascemos nos entregando a desculpas.

Mas não nos enganemos. Pelo menos outras 50 são comuns às mulheres. Principalmente a que citei acima ("Você me masturba tão bem"). Antes dos 20 anos, um homem não sabe sequer dar bom dia a uma mulher. Ao que eu acrescento: depois que o homem aprende a cumprimentar uma mulher, ele passa o resto da vida tentando aprender a tocar direito a criatura. Mas não tem jeito, nunca aprendemos. E só nos resta o contentamento do engano: "nunca nenhum outro homem me tocou tão bem", dizem elas. E nós engolimos, claro, como imbatíveis pessoas do amor.

domingo, 12 de setembro de 2010

O que eu acho disso tudo

Bem, esse post não vai ser sobre algum assunto geral, ou universal, vai ser mais específico.

Muita gente (muita mesmo) me perguntou o que eu acho da saída do Mike Portnoy do Dream Theater. Acho que agora depois de 3 ou 4 dias, já posso pensar melhor nisso tudo e ter uma opinião mais sensata.

Bem, como praticamente todos que me ocnhecem sabem, Dream Theater é a banda que eu sigo, me dedico, gasto horas da minha vida ouvindo, analisando, estudando sobre, etc. Então por isso acho que tenho embasamento necessário pra falar o que eu acho, se discordar, fuck you, o blog é meu. (troll mode on).

Vamos aos fatos: Mike Portnoy solta uma nota oficial dizendo que decidiu deixar a banda pois queria um tempo e isso não foi concedido. Resumidamente isso com mais algumas pitadas de drama. A grande nação de fãs xiitas da banda se dividiu, alguns concordando com o Portnoy outros discordando. Vou falar sobre o lado que eu estou.

Por mais que goste, admire, idolatre e talvez até entenda o Portnoy um pouco, acho que foi uma atitude sem noção, que com certeza ele vai se arrepender, aliás, pela entrevista que ele deu, já se arrependeu. Sim, ele trabalha demais pelo Dream Theater, cuida não só do lado musical, mas também como várias outras coisas: monta setlist, tem um contato enorme com os fãs, produz, manda, desmanda, impõe, ops, falei demais. Só que ninguém vê o que a banda fez por ele. Todos o apoiaram no tratamento dele, banindo todo e qualquer tipo de bebida pra sempre, aceitaram a condição de ele mandar e desmandar e fazer tudo do jeito que ele quer, e com isso tudo, os outros deixaram de ser sinônimo de Dream Theater. Nada maior que isso em minha opinião.

Ae me vem o Portnoy, pede um tempo pra poder se divertir com outras bandas, enquanto os outros esperam sua boa vontade. Claro que ele achou que eles iam aceitar, porque tudo sempre foi do jeito que ele quis, mas pra sua surpresa, vejam só, disseram não. E com toda razão, porque eles parariam? É a vida deles, de todos eles, a fila anda. Achei a melhor atitude possível contra a atitude um tanto quanto egoísta do nosso querido ex-baterista.

Mas vejamos pelo lado bom, talvez essa saída dê uma injeção de ânimo na banda, as coisas não serão mais do jeito que o Portnoy quer, talvez o Myung volte a compôr, talvez eu volte a escutar as linhas d baixo, talvez o Rudess influencie mais uma volta às raízes prog da banda. Acho que no fim será um mal que veio para o bem.

Agora quer saber o fim da história? Anote aí, dentro de um, dois ou três anos, Portnoy estará de volta, porque ele não terá ninguém pra mandar, e claro com certeza, ele é parte fundamental do Dream Theater, sempre será. A banda grava um DVD/CD Reunion Tour, seremos felizes pra sempre.

Finalizando, me senti como se minha mulher tivesse me traído por um rapazinho com metade da minha idade, que está cheio de vigor sexual, metendo 5 vezes por dia, enquanto a gente fazia isso 3 por semana. Primeiro veio a fase de não entender porque fui trocado, de tentar entender o que eu não tenho que os outros têm, enfim, a fase de achar um culpado. Depois veio a aceitação e a depressão, e agora vem a fase de achar que não foi de todo mal, de que quem sai perdendo na verdade não sou eu.

Comente :*

domingo, 11 de julho de 2010

O sentido dos bjs por e-mail

Nunca me aventurei em textos com personagens, mas aí vai um. tentem achar a moral da história.

Pela primeira vez ele trocava e-mail com a sogra. Precisava acertar com ela os detalhes da festa surpresa pra celebrar os 30 anos da mulher dele. Leu e releu a mensagem repetidas vezes. Queria se certificar de que não havia erros. Não podia permitir nenhum deslize no português. Claro que não. Era um escritor. A sogra suporia que ele não sabia escrever. Aquele inútil. Só faz isso na vida e ainda faz errado. Um erro no e-mail mostraria fraqueza na única coisa que achavam que ele sabia fazer.

Releu pela quinta vez. Era uma mensagem clara e bem redigida. Curta. Achou que ela ficaria bem impressionada. Aí chegou no final. Caramba! Como terminar? A primeira mensagem havia sido enviada por ela. E ela colocou um bjs no final. Só que ele odiava essa linguagem de internet. Ele escrevia tudo sem abreviaturas. Beijos em vez de bjs. Abraços em venz de abs. Você em vez de vc. Mas escrever beijos no e-mail à sogra era demais. Ele estaria dando... beijos nela. Enviando beijos a ela. Imaginou-se beijando-a repetidas vezes. Arhg! Afastou a cena para longe.

Pensou bem. Bjs era muito mais apropriado. Bjs era apenas um final amistoso num e-mail entre pessoas que precisam ser amistosas. Bjs não são beijos. Ele não estaria dando beijos na sogra se escrevesse bjs. Bjs é impessoal. Não estala no rosto. Não tem biquinho nem baba. Muito menos língua. Bjs é a solução.

Outra saída seria apenas subscrever o e-mail. Colocar na úçtima linha o seu primeiro nome seguido de um ponto. Mas isso poderia soar meio rude. Afinal ela enviou bjs a ela. Decidiu ligar para um amigo. Pedir uma opinião. O amigo estava no escritório e começou a rir às gargalhadas com um problema tão patético. O amigo jamais compreenderia. Nem sogra ele tinha. Era solteiro. O escritor tentou explicar. Imagine uma gerente de outro departamento aí na sua empresa. Vocês estão tratando de negócios por e-mail. Você quase nunca fala com ela. Mal a conhece. Então você apenas escreve obrigado e põe o seu nome no final dos seus e-mails. Simples. Mas se você fala de vez em quando com ela é diferente. Vocês não são amigos. Porém se falam ao menos uma vez por semana. Por telefone ou por e-mail. Assuntos profissionais. Então o apropriado é escrever bjs no final. Beijos seriam inapropriados. Entendeu? O amigo não falou nada. Mas se deu conta de que também ele inconscientemente agia assim. Só não admitiu. Então coloque bjs para sua sogra. Já que o problema é esse. Puta problema besta. E eu agora preciso desligar. Tchau.

Pensou: escrever bjs consegue ser melhor até que usar somente bj. Porque bj é mais palpável. Significa um beijo. Mesmo abreviado. Já bjs é infefinido. Incontável. Não se pode dar bjs numa pessoa. Ninguém pensa nisso. Era a melhor solução. Então porque ele não a adotava logo? Bem, tinha seus impedimentos. Sempre discursou contra as abreviaturas. Agora como ele teria coragem de colocar bjs num e-mail seu? Ficou ali minutos intermináveis sem achar uma saída. Já estava impaciente. Levantou da cadeira. Foi até a janela. Voltou e se sentou. Acendeu um cigarro. Começou a escrever vários finais para ver se um se encaixava. Quase todos esdrúxulos. Atenciosamente. Até mais ver. Agradecido.

Ficou mais inquieto ainda. Pegou outro cigarro. Começou a escrever uns finais absurdos e ofensivos. Do nada. Sem o menor motivo. Do tipo vá se fuder. Pau no seu cu. Escrevia e apagava. Pega no meu pau. Escrevia e apagava. Velha de merda. Escrevia e apagava. Até que sem querer resvalou o mouse no send depois de escrever e antes de apagar beijos no seu corpo todo.

Moral da história...... comente

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O Rock errou?

Fico procurando culpados por esa geração de molóides que passa o dia em frente ao computador deixando a bunda crescer e a barriga estufar pra fora da calça. Sim, estou falando dos nerds (ou geeks, como são chamados agora). Dos seus cabelos oleosos. De sua pele idem. De sua imensa preguiça para qualquer coisa que não seja tecnologia ou comida em domicílio.

Quem levou esses pobres coitados a tal situação? Se eu for pelo caminho mais fácil, direi que tudo começou com a televisão. Pais ocupados demais, o dia todo fora, crianças à mercê da babá eletrônica... Bingo. Também poderia culpar o computador, a internet, o palmtop... Sei lá.

Mas prefiro culpar o rock and roll. Foi o rock quem primeiro glamourizou a inércia. Foi o rock quem inventou que odiar o dia e ter olheiras é que era cool. Foi o rock que começou a sugerir como modelos para a juventude pessoas largadonas no sofá, fumando, bebendo e sendo aduladas pelas fãs, tratadas a pão-de-ló como garotos mimados. Putz, e isso não é o máximo? Eu também costumava pensar assim, confesso.

Só que, reparando bem, subliminarmente, o rock funcionou como o mais eficaz veículo para a transmissão da mensagem burra de que o legal na vida é fcar doidão, pálido, com a saúde fodida e se possível morrer logo. Como se a melhor parte do rock não fosse a música em si, mas sim a falta de cuidado com o próprio corpo.

Você pode estar pensando que eu vou fazer um discurso careta contra o rock. Não, adoro rock. Principalmente prog rock e hard rock. Mas não é esse o ponto.

O ponto é que o rock sempre esteve ligado a comportamentos pouco saudáveis - para dizer o mínimo -, e tenho cá minhas dúvidas se a genialidade das músicas foi mesmo resultado desses excessos, como alguns chegam a defender. É óbvio que a rebeldia faz parte do rock and roll. Não seguir os padrões vigentes; vociferar contra o establishment; odiar o governo e a polícia. Detonar o corpo? Que que tem a ver uma coisa com a outra?

A verdade é que esse comportamento autodestrutivo já era, só não vê quem não quer. É cafona. Repare nos roqueiros que não morreram de overdose: tá todo mundo arrependidão, tentando salvar o que sobrou do resto do corpo deles, apelando pra bronzeados artificiais, malhando feito condenados como não fizeram a vida inteira (isso sem falar nas plásticas, lipoaspirações e implantes de cabelo). Taí o Iggy Pop que não me deixa mentir.

Ou então continuam supermalucões - e superdacadentes como o Ozzy Osbourne, que só vive bolado de calmante. E o que dizer do Keith Richards, que cheirou as cinzas do pai? Crianças, não façam isso em casa...

O mais engraçado é que o cara tido como pai do rock, Chuck Berry, está vivo e bem aos 80 e sei lá quantos anos. Duo risada quando leio que a coisa que ele considera mais importante na vida é a saúde! Pesquiso e vejo que Chuck foi preso algumas vezes em sua longa carreira por seus problemas com... mulheres! Safadinho.

Gostaria de poder ser influente como um rockstar para dizer pra todo mundo: deixe esse computador de lado, mova esse traseiro gordo, saia pra dar uma volta pelo bairro, estique as pernas. Tome um pouco de sol nesse corpo branquelo Edward. Vá jogar bola. Ande de bicicleta. nade. É bom também para a cabeça, sabia? Ou pelo menos faça como o velho Chuck: vá transar!

Sexo só faz bem. Drogas? nops. Rock and Roll? Mais no ipod e menos em seu estilo de vida.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

...Memórias Póstumas de MuMu

Alguma vez na sua vida, por mais rápido ou mínimo que seja, você já paropu pra pensar em como vai envelhecer? Se vai ficar doente ou sozinho, se vai ser feliz e ter uma família. Você já teve medo de morrer?

Ultimamente tenho pensado nisso, em como tudo ficaria se eu morresse, se eu iria sofrer ou seria algo rápido, e olha, eu descobri que tenho medo pra CARALHO! Desculpe pelo palavriado, mas é sério. Fico pensando em tanta coisa que eu tenho pra viver, tanta coisa que eu não fiz, tanta coisa que eu queria falar, que eu queria ouvir, tantas pessoas que eu ainda tenho pra conhecer. Eu ainda não tenho certeza se todas as pessoas que eu gosto também gostam de mim igual dizem, e partir pro outro plano sem ter essa certeza me faz perder noites de sono.

E depois que eu fosse? Será que eu realmente ia ficar no céu cheio de anjas hot, dançando semi nuas ao meu redor? Talvez ia ficar vendo corpos caírem no inferno como saco de batatas sendo despejados. mas não acho que eu tenha sido uma pessoa ruim, muito pelo contrário, então com certeza não vou pro inferno, sorry devil!

Mas o que eu realmente acho é que acabou, escuro total, breu, fim, pronto! Somos devorados por vermes e é isso. Uma vida que a gente luta´pra tentar tirar o melhor dela (não sei se fiz meu máximo ainda) simplesmente se vai sem termos o prazer da segunda chance, de aprender com os erros, de pedir desculpa a quem se deve, ou de falar que se ama a quem se deve, coisas tão simples, que quando são sinceras fazem uma diferença enorme tanto pra quem escuta, como pra quem fala.

Como ultimamente tenho tido esses pensamentos, estou vagarosamente tentando fazer isso, nunca se sabe quanto tempo temos por aqui. Não estou tentando me redimir, ou buscar salvação com São Pedro, simplesmente estou fazendo o que eu acho que eu devo fazer, antes que seja tarde.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O fim do amor platônico

Quando eu tinha 13 anos, eu era secretamente apaixonado por uma garota do colégio. Eu não sabia nada a respeito dela. E claro que queria saber tudo. Tudo parecia importante. O filme que ela mais gostava. O número do seu telefone. O CEP. Qualquer coisa minimamene relacionada à vida dela parecia mais importante do que qualquer coisa relacionada à minha própria vida.

Mas eu era tímido. E ela era linda. E a distância, eu não tinha como descobrir nada. Mas um dia surgiu uma oportunidade. O colégio instalou caixas de som no pátio para tocar música durante os intervalos e pediu aos alunos que preenchessem um formulário com suas músicas prediletas. Era minha chane de descobrir o gosto dela. Gosto é uma coisa importante. Importantíssima. Entrei escondido na sala onde ficavam os formulários. Era uma escola onde tinham uns 400 alunos. Mais de 400 formulários. Olhei um por um, na penumbra, suando frio. Mas o dela não estava lá. Descobri, depois, que ela tinha faltado e não tinha preenchido formulário nenhum. Foi meu primeiro amor platônico. Durou vários meses. 15 anos atrás.

Hoje tudo seria mais fácil. Hoje tem Google. Tem Orkut. Facebook. MySpace. Twitter. E agora, mais recentemente, Formspring (para quem ainda não sabe, Formspring é a mais nova modinha da internet, um site em que as pessoas fazem perguntas anonimamente umas às outras). Ou seja: hoje em dia um moleque tem como descobrir basicamente tudo sobre uma garota. Sabe quando ela acoda (está lá o bom dia no Twitter), onde ela foi nas férias (fotos no Facebook), o queela acha que o mundo devia fazer para conter o aquecimento global (tá lá a foto do Al Gore no blog). Se existissem essas coisas na minha época, eu... bem, eu teria deixado de gstar daquela garota. Meu amor não teria durado dois dias. Talvez nem duas horas. É óbvio. Elementar. O amor platônico precisa de distância, precisa de idealização. Amor platônico não combina com realidade. É como meia roxa com terno preto. Ou com qualquer terno. Ou com qualquer roupa. Simplesemente não combina.

Hoje em dia, o molequinho apaixonado tem que encarar o fato de que sua amada escreve coisas como "atoooooooron o Cauã Reymond!" (atoron significa adoro em linguagem de internet; Cauã Reymond eu não sei). Tem que encarar o fato de que ela ri com kkkkkkkk ou com aschuaschuaahua (o que aconteceu com o bom e velho hahaha, meu Deus do céu?). Tem que encarar o fato de que ela venera filmes cretinos, ouve música insuportável e participa de comunidades como "Por onde passo causo, por onde fiko arrazo". Tudo isso SEM sexo.

É claro que amor platônico nenhum pode sobreviver assim. Acabou. Já era. Nunca mais. Eu fico imaginando esse moleque, soterrado pelos fatos, destruído. acabado, tentando preservar pelo enos uma migalha do seu amor: ele entra no Formspring e pergunta, desesperado: não dá pra você ficar quieta não? E a resposta tão terrível quanto inevitável: naummmmm!

PS: se leu fica a vontade pra comentar :x

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Deixei meu mundo me moldar... Já fui ingênuo, já fui astuto, já fui de tudo que eu pude imaginar. Cada dia é uma página, e naturalmente algumas ficam na memória e outras nem mesmo prendem a atenção. Penso sobre os momentos bons e como sentimos falta de tudo que não temos mais, mas queríamos ter novamente, não só na imaginação. A infância, que me arrepia quando vem à cabeça, porque eu não me preocupava, não sabia sobre muito e só pensava em brincar. O colégio, os primeiros amigos, a descoberta dos maiores laços afetivos, o sensação de ganhar novos irmãos. O ensino médio, os problemas, os desafios e as primeiras conclusões; sentir que você é uma pessoa diferente e ao mesmo tempo tão igual; os melhores amigos que ficaram, as emoções que marcaram, o diploma e o começo da vida real. Sinto saudades do passado, e apenas sinto porque sei que tudo aquilo foi bom. Eu sempre pensei que eu tinha uma vida ruim, sempre carreguei comigo uma grande insatisfação, mas tudo é questão de ponto de vista, e há sempre a chance de mudarmos de opinião. Quantas vezes achei que tudo era injusto, mais pra mim do que pra outros; quantas vezes sentei e me entristeci porque eu queria e não podia ter, mesmo que o que eu desejava estivesse bem ali; quantas vezes deixei poucas coisas me abalarem e deixei de ver que sempre havia algum motivo pra sorrir... E não acho que isso foi de tudo tão ruim. Pelo contrário, acho tudo muito válido e necessário, cada detalhe, cada momento, essenciais pra me construir. Sempre achei que tudo era muito difícil, impossível e que eu era incapaz, mas analisando a minha situação e olhando o mundo em que vivo, acho que basta correr atrás. Um homem é aquilo que quer ser, faz aquilo que quer fazer, desde que se permita e não tenha medo. Nem sempre é a hora certa de arriscar, mas oportunidade nunca vai faltar, e durante a vida, há tempo pra aprender, tentar, errar e recomeçar, e o mais importante é saber se planejar.
Não há nada que eu valorize mais do que amizade e família, que representam o ápice do meu potencial de amar. E amizade e família não englobam, no meu caso, dezenas de pessoas, como alguns podem imaginar. As coisas especiais são sempre caracterizadas na individualidade que te faz suspirar. E não há nada melhor do que ter em quem confiar, em quem acreditar; como é divino estar com alguém sabendo que tudo que você precisa este alguém pode te dar. Como é bom, mesmo nos momentos difíceis, saber quem é ideal pra te motivar, te reerguer e te se segurar. Eu não vou superar as barreiras porque sou tão forte quanto um tiro de canhão, mas sim porque esse meu universo é a própria explosão. Não há nada melhor que viver pra fazer bem a quem te faz tão bem que chega ser difícil retornar. Todos os sorrisos, o apoio, o amor, a paixão, o motivo e a dedicação... Tudo aquilo que te manteve em pé, alimentando seu coração.
Ficar mais velho, mais experiente, mais novo ou mais eficaz... Nada seria possível sem as ferramentas que me corrigem, me transformam e me melhoram a cada dia; nada seria possível sem os grandes seres do meu pequeno e apertado universo, aos quais dedico esse espaço como forma de gratidão, por sempre andarem comigo, me darem abrigo, sempre segurando minha mão.

Vocês sempre me mostraram como viver, continuam a me mostrar como viver.
A vida se vai em um piscar de olhos e muito fica pra se dizer, e muito fica sem se fazer, mas se amanhã eu não estiver mais aqui, que ao menos essa seja a minha chance de vos agradecer.
Sempre estarei aqui pra vocês, como vocês estiveram aqui pra mim, e sempre estarão.
Vocês não me magoam, não me decepcionam, não me fazem mal, e terão sempre a minha compreensão, o meu apoio e a minha aprovação. Sei que não sou o melhor que poderia, mas é por vocês que busco a evolução.

Nada teria sentido sem vocês; seja o anãozinho, os gêmeos, o hippie magrelo, o gigante, o gordo drogado, os belo horizontinos, o on line, o novo papai que tá chegando ae e tantos outros....
Vocês são minha vida, meu presente, meu futuro... e sempre serão.
By Vinni

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A verdadeira aventura de ser homem

Se ao ler o título acima você pensou em atravessar o país num 4 x 4, pular de paraquedas ou escalar o Everest, errou. Entenda porque os nerds estão muito mais próximos da essência do macho do que os ditos destemidos.

Ter nascido homem é uma aventura, ou a oportunidade para uma aventura. Ter nascido mulher sei lá o que é, pergunte para uma mulher. (A julgar pelos filmes de mulheres, envolve ficar numa mesa de cozinha com outras mulheres, falando sobre doenças terminais.) Mas ser homem é ter o desejo de viver uma aventura, de algum modo. Me refiro a aaventura no sentido mais primitivo. Não a versão aguada de aventura que nos empurram quando crescemos: a aventura de ser bom pai, a aventura de comer brócolis. Não, me refiro à visão infatil de aventura: exploração espacial ou ártica, nativos correndo atrás de você com zarabatanas.

A essência mesmo de ser homem é desejar essas coisas. Se você tem um nível saudável de testosterona, acredite, você quer que um membro de uma sociedade secreta esteja neste momento escalando o exterior do seu prédio com a intenção de matá-lo com uma adaga malaia.

Mas é claro que a vida real é famosamente desprovida dessas coisas. Aquilo que geralmente chamamos de aventura ou são tentativas retóricas de provar que a vida adulta não é tão chata assim (tipo "a aventura de criar uma família") ou é, na maior parte das vezes, a organização de esforços repetitivos e pequenas inconveniências: rali, por exemplo, é dirigir na lama, tirar carros da lama e basicamente fazer força na lama; alpinismo é dormir na chuva e ficar uns dias sem ver TV, e assim por diante. É talvez o mais próximo de uma aventura que você pode viver na Terra, mas qualquer homem com testosterona sabe que não é o suficiente.

Donde a minha tese na qual acredito piamente, de que os nerds são os Últimos Machos de Verdadena face da Terra. Sim, os nerds - sei que não parecem, mas é fácil provar. Não há, como eu disse, aventura real para ser vivida na Terra. Ser homem, no entanto, é desejar viver uma aventura. Outros homens podem ter uma aparência mais viril, mas se contentam com uma vida sem aventuras, ou com imitações baratas de aventura do tipo bungee jumping.

Só o nerd deseja tanto viver uma aventura de verdade que permite que esse desejo domine toda a sua vida, sendo incapaz de ter uma conversa normal sem fazer menções às aventuras de Tolkien, de Jornada nas Estrelas, de um videogame. Ele vive mentalmente nesse mundo de aventuras, e se esforça para trazer essa aventura até este mundo aqui, usando roupas ridículas de Gandalf e falando em Klingon com a garçonete do T.G.I. Friday's. Que Deus o guarde: é o último homem na terra que se recusa a abandonar a aventura por uma vida de papelada, normalidade e busca por dinheiro.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O antes e o depois

Bem, cá estou eu novamente desenhando essas linhas mal escritas (isso se chama liberdade poética, sempre quis usá-la :x uhAUHahuAUHUa). Não sabia bem sobre o que escrever, só sabia que queria escrever, e comecei a pensar em alguma coisa, mas nada me vinha a cabeça, como diz uma música de uma banda por ae que eu nem gosto "Olhando pra baixo, nada vem a mente, ache o lugar, transforme a água em vinho". Então que eu pnsei em como eu mudei de um tempo pra cá, mudanças nem sempre são ruins como tods sabem, e eu acho que eu mudei pra melho, bem melhor, pelo menos comigo mesmo.

Na vida da gente muitas pessoas passam, encontros ao acaso, amizades momentâneas, namoros falidos ou não, sexo casual, etc. A gente só tem que saber tirar disso tudo o que vale a pena, e quem vale a pena. E como a gente pode saber quem vale a pena? Pense em quem ajudou a mudar sua vida, pra melhor claro. Que seja uma mudança mínima, talvez te ensinou a gostar de peixe, talvez te fez ver que sorrir é legal, ou que um abraço faz bem. Essas pessoas valem ser lembradas e guardadas, e valem sua saliva quando você fala delas pros outros, porque é bom se gabar as vezes, sem medo de parecer arrogante ou prepotente, faz bem pro ego.

Voltando agora às minhas mudanças, ao meu ego, eu tneho uma lista de pessoas especiais, todo mundo tem. Pessoas que me fizeram ver que o mato não é tão ruim assim, que um passarinho pode conversar com você, que coca é o líquido dos deuses, que Kiss não é só um bando de cara maquiado, que fumar faz mal à saúde, que academia pode ser legal, que chorar faz bem, que dar presente é melhor que receber, etc.

A essas pessoas muito obrigado, por mudarem minha vida pra melhor, e me mudarem pra melhor, por mais chato, ranzinza, emo, ou qualquer outro adjetivo nem tão bom que eu possa ser, lá no fundo eu estou me sentindo uma pessoa melhor, e isso graças a pessoas melhores que eu.

Obrigado e espero que vocês continuem a fazer parte da minha vida.

PS: No próximo post volto com meus textos machistas :x

sábado, 5 de setembro de 2009

Momentos

Existem situações em nossas vidas que nos fazem pensar melhor, nos fazem pensar em várias coisas na verdade, se estamos agindo corretamente, se estamos sendo justos, bobos, etc. Esse texto veio de uma dessas situações, então por favor, não pensem que ele é direcionado a uma ou duas ou quinze pessoas, ele simplesmente veio de uma das milhões de situações que nos fazem pensar melhor.

Algum tempo atrás, lendo um blog de um amigo meu me deparei com uma frase escrita por ele, que realmente me fez pensar muito na época, e desde então guardei isso pra mim, na verdade achei essa frase um tanto quanto sábia, digamos assim. É mais ou menos isso: "E depois de um tempo que você amar, se amar... Comece tudo de novo, mas dessa vez, faça um pouco diferente, agora ensine alguém a amar...você".

Essa frase cai bem no meu contexto atual. Às vezes precisamos sentir que somos especiais de alguma maneira, sim, não sei vocês, mas isso na minha opinião é algo inerente ao ser humano, a gente PRECISA ser valorizado de alguma maneira, pra podermos ver que estamos no caminho certo, que estamos fazendo tudo direito, que cativamos pessoas, que temos amigos. Faz bem pro ego ser elogiado as vezes, ser lembrado, receber um telefonema. Um oi e um tchau pra mim são muito especiais, sei que pra maioria é algo ridículo, mas pra mim são coisas que fazem muita diferença, e são coisas muito fáceis pra todo mundo. Acho que devido a várias coisas que já precisei passar, não que eu seja o único sofredor do mundo, nem de longe, mas não sei, acho que desenvolvi uma certa carência afetiva, um pouco mais do que o normal digamos assim, eu realmente espero ser reconhecido, valorizado, lembrado, coisas fáceis eu acho.

E por mais que pareça, não estou tentando me fazer de vítima sofredora, não sou a pessoa mais santa do mundo, não mereço um altar pra ser louvado, já menti, já fiz muitas coisas indevidas, já fui mal educado, mas com as pessoas que eu gosto, eu tento ser o melhor possível, e por isso eu gostaria de saber se estou fazendo certo. Só não queria ser privado do direito de me sentir especial.

domingo, 19 de julho de 2009

O homem ideal pra elas: um monstro

Não há nenhuma criatura mais absurda que a mulher que diz, com sublime inconsciência do próprio ridículo, que quer um homem "macho porém sensível" - em dias alternados da semana ou algo assim. Se você toma injeções de testosterona, talvez fique macho uma vez por mês, e na outra os seus ammilos comecem a jorrar leite. Talvez. Não sei.

Mas elas não param por aí. Elas querem um homem "macho porém sensível, firme porém delicado, sério mas com senso de humor, trabalhador mas que sabe se divertir, ambicioso mas que goste de passar um tempo juntinho, baladeiro mas que goste de ficar em casa".

Deveria haver uma maneira delicada de dizer às mulheres que nenhum homem pode ter essas características conflitantes sem que se torne o tema de um filme sobre as suas personalidades múltiplas, com um título como "As nove vidas de Alfredo", ou algo assim. Elas realmente acham que vão encontrar alguém que goste de P.S. I Love You, mas que, ao mesmo tempo, preencha o seu requisito de "saber me pegar como homem"? Elas realmente acham que vão encontrar um membro do sexo masculino que se derreta quando vê um bebê, que chore quando vê Filadélfia enquanto massageia os seus pés mas que, ao mesmo tempo, nas suas delicadas palavras, "goste da fruta"?

"Ambicioso mas que goste de ficar juntinho" - seria como um homem dizer que quer uma mulher "alta porém baixinha". Talvez a melhor coisa pra fazer com que as mulheres compreendam o absurdo do seu desejo fosse construir uma estátua do ideal masculino delas, ocupando a praça central de uma cidade, com uma plaquinha embaixo: O HOMEM IDEAL.

Em cima do pedestal veríamos uma espécie de deus hermafrodita com vastas tetas pendulares e murchas, seis ao todo, pênis médio porém grande, braços tonificados porém não muito musculosos, mãos calejadas porém macias - uma segurando uma espada, outra um pano de prato e outra (sim, outra) uma rosa. Esse deus é esbelto e não muito magro, tem uns músculos no peito por trás das tetas mas nada que indique se conferindo o dia todo no espelho, e está bem vestido porém não o tanto que indique que pensou demais no assunto.

As linhas da boca indicam ao mesmo tempo uma capacidade de ser cruel, com os outros, se necessário, e extrema doçura em relação à mulher - alguém diria, quase subserviência. A linha do queixo indica firmeza, mas o olhar suaviza tudo: a 100 metros de distância, você consegue ver que os olhos da estátua são prestativos e atenciosos, como se eles estivessem eternamente perguntando em relação a qualquer decisão que acabou de tomar, "está bom assim pra você?". Ao mesmo tempo esses olhos são inegavelmente titânicos, decididos, imperiais.

Tudo que temos de fazer é contratar mulheres para construir essa estátua, ou pelo menos para fazer um desenho dela. Prevejo que não vão fazer muito mais do que um dedo ou um pé antes de parar tudo - dando em seguida um tapão coletivo nas próprias testas ao perceber, pela primeira vez, a impossibilidade da coisa toda.